Vox Dei nº 443 de 19 de março de 2017

Nem sempre quando se dá uma esmola é ato de caridade. Aquele pequeníssimo valor que se dá ao pedinte, por vezes é aviltante para quem dá e para quem recebe. É claro que preferimos imaginar que com a ideia trazida daquele velho ditado popular de que “de grão em grão a galinha enche o papo”, entendemos que já fizemos a nossa parte.

Por esse prisma, percebe-se que é comum se confundir a esmola com a verdadeira caridade que por sua vez, fica condicionada à ideia de que a mínima contribuição material já consolidou sua prática.

Às vezes se percebe a caridade como um ato religioso no sentido de dar uma esmola para os pedintes na porta da Igreja, no entanto, ao entrar, é incapaz de fazer uma breve oração em favor dos mais necessitados.

 É comum também, nos comovermos às lágrimas com campanhas em favor de doação de órgãos, sangue, roupas, remédios, agasalhos, cestas básicas e compartilhar nas redes sociais ou até mesmo contribuir e até se desdobrar para que outros contribuam. Isso tudo é muito importante ser feito, mas não é o suficiente.

Pensemos que a caridade é bem mais que um olhar caridoso, é atitude, é ação que precisa ser dignificada! Ela deve ser encarada como uma mudança firme de atitude que precede o ato, aquela que vem com o verdadeiro olhar fraternal, a necessidade que nasce da vontade de mudar um estado de coisas que modifique aquela condição.

O olhar holístico sobre o que acontece à sua volta, permite observar a necessidade do outro num contexto global, na apropriação do conhecimento de tudo que envolve o necessitado. Essa disposição em exercitar uma caridade que vai além da comodidade em estender a mão no que está mais próximo, é princípio básico! É a doação de si mesmo, da preocupação em atender o outro de forma mais plena, mais satisfatória para ambas as partes.

 

O medo de acabar se envolvendo além da capacidade de se entregar, faz muitas pessoas deixarem de perceber o egoísmo que há nessa omissão. É claro que satisfazer a fome de alguém naquele momento, é um ato de generosidade maravilhoso, mas, que tal olhar um pouco além e tentar evoluir para uma mudança mais efetiva na vida de alguém, de poucos ou de muitos?