Vox Dei nº 442 de 12 de março de 2017

Ninguém gosta de comida insossa, sem sal algum! O sabor pode ser despertado com temperos de ervas, ma, sem o sal, tira-se o prazer em comer. A comida em geral é consumida por prazer no paladar e, privar-se dela ou do seu sabor é por vezes um verdadeiro tormento.     

Quando se instituiu o jejum cristão, muito das práticas do antigo testamento ainda ficou arraigada no costume do povo e por vezes, na atualidade causa certa confusão.

Para os católicos, abster-se de determinados alimentos ou refeições não deve ser considerado apenas uma tradição, nem um ato ritualístico vazio que se perde no seu real significado. O jejum ou a abstinência, antes deve seguir uma profunda visita interior, onde se busca uma forma de contrição, de avaliação sobre suas atitudes, de contemplação e de oração. É na verdade uma forma de “detox” da alma! 

Não tem nenhum significado importante para o espírito, se naqueles dias onde deve haver jejum ou abstinência, a pessoa deixa de comer determinado alimento, como usualmente se faz com a carne, no entanto, se “empanturra” de peixes, massas ou legumes regados a muito vinho ou outras bebidas alcoólicas.

Parece sem graça tirar o prazer nessas práticas, não é verdade? O real significado do jejum e da abstinência no período da quaresma, não está efetivamente na quantidade e nem no tipo daquilo que se ingere, está mais na verdadeira intenção do gesto. Isso tudo deve estar associado a uma verdadeira mudança de atitudes naquilo que desagrada a Deus, e nada mais desagradável a Ele do que uma barriga vazia e um coração odioso, intolerante, abusivo, corrupto, maligno ou traiçoeiro.

Quando Jesus nos conclama a nos convertemos em sal e luz para o mundo é justamente sobre garantirmos o real tempero da fé que proclamamos. É estar totalmente diluído na vida a tal ponto de que se faltarmos, nada nos substituirá. Para a conversão é preciso estar convicto de sua importância para Deus, para cada um com quem nos relacionamos em perfeita harmonia.

 

Oração, jejum, caridade. São três comidas que dão tempero à alma! Vamos praticar?