Vox Dei nº 440 de 26 de fevereiro de 2017

Amados irmãos (as).

 

A liturgia deste domingo tem a missão de alertar nosso sentimento, de que Deus nos ama mais que qualquer mãe. Isaías usa o exemplo do carinho de uma mãe para recordar que ela jamais se esquece de amamentar o filho, de lhe dar atenção quando chora, e mesmo que isso pudesse acontecer, Deus jamais esqueceria um de nós. Com isso, vemos que para Deus valemos muito. Deus nos ama mais que uma mãe ama seu filho.

Baseados nisso, entramos na leitura do Evangelho onde Jesus diz: “Portanto, não vos preocupeis, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir? Os pagãos é que se preocupam com essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso”. Temos um Pai que providencia essas coisas. Os pagãos, que não creem em Deus, que não O conhecem como Pai, que não conhecem sua Providência, é que gastam tempo com essas preocupações.

Isso não significa que deveremos ficar num cômodo sem fazer nada, aguardando que as coisas caiam do céu. Significa, como diz Jesus, ao final do Evangelho de hoje, que deveremos trabalhar buscando o Reino de Deus e sua justiça em primero lugar e, consequentemente, Deus nos dará todas as coisas em acréscimo. Ora, trabalhar pelo Reino e por sua justiça é trabalhar para que todos tenham emprego, assistência médica, escola, lazer, enfim, tudo aquilo de que o ser humano necessita para viver sua dignidade de filho de Deus.

Quando nós nos pomos a serviço do deus deste mundo, que se chama ”dinheiro”, o nosso coração não consegue encontrar a paz, não consegue encontrar a quietude. Não é que nós não podemos ter dinheiro, muito pelo contrário, nós precisamos do dinheiro e ele faz parte da nossa vida e nos ajuda a organizarmos nossa vida. No entanto, nós não podemos estar a serviço do dinheiro; pelo contrário, o dinheiro precisa estar a serviço do homem e da vida. Quando nos fazemos escravos dele, ele nos domina e não nos dá a liberdade para servirmos a Deus.

O Senhor dá-nos este conselho: “Não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia bastam seus próprios problemas” (Mt 6, 34). “E porque ficais preocupados com a roupa?” (Mt 6, 28). Jesus não diz que não nos ocupemos das coisas que se referem ao alimento e ao vestuário, mas que não nos preocupemos com desassossego e perturbação dessas coisas. É como se dissesse: “Não vos preocupeis excessivamente com os bens materiais, ainda que necessários à vida; não estais sobre a terra para aqui viverdes imersos em pensamentos de coisas materiais, sois filhos de Deus, bem superiores às flores do campo e às aves do céu. Deus pensará em vós, mais do que pensa nas outras criaturas e vos dará o necessário”.

“Tudo mais vos será dado por acréscimo”, segundo comenta Santo Agostinho: “não como um bem no qual devais fixar a vossa atenção, mas como um meio pelo qual possais chegar ao sumo e verdadeiro bem.”

Na segunda leitura, Paulo acrescenta um aspecto muito importante no tocante ao confiar em Deus. Deveremos esperar d’Ele não apenas os bens materiais, mas também a justiça no tocante ao julgamento dos homens sobre nossas pessoas. “Quem me julga é Senhor!”

Em qualquer situação de nossa vida, devermos confiar na Providência divina, mais que uma criança confia em sua mãe e se entrega ao seu Pai. Na vida e na morte, nas carências de bens materiais ou no baixo conceito que temos na visão de outros seres humanos, confiemos no amor de Deus.

Façamos nossa tarefa de colaborar com o Senhor na construção do Reino de Justiça, mas esperemos n’Ele, em seu amor providencial. Confiemos em seu radical amor por cada um de nós, seus filhos queridos.

Sirvamos a Deus com alegria. Boa semana a todos.