Vox Dei nº 439 de 19 de fevereiro de 2017

Amados irmãos (as)

 

As palavras do Evangelho de hoje podem soar estranhas aos nossos ouvidos, nos dias atuais. Porém, a recepção não foi melhor quando Jesus as pronunciou. Oferecer a outra face a quem já tiver me agredido? Dar o restante dos meus bens a quem já está a me tomar uma parte deles? Afinal, que proposta é essa de Jesus? Estamos diante da lei de Talião: “Ouvistes o que foi dito: Olho por olho, dente por dente”, embora à primeira vista pareça alimentar um sentimento de vingança, ela justamente deseja frear um ímpeto de vingança individual.

 Eis a novidade do Evangelho: querer o bem de quem nos faz mal. Não admira que tantos façam caretas ao ouvir este mandamento que está no coração da Boa Nova de Jesus. É bem mais fácil lembrar o direito de defesa, recorrer aos tribunais ou escolher uma reação no variado leque das vinganças humanas… A situação parece ainda mais grave quando tomamos consciência de que o próprio Jesus praticou o que havia ensinado. Em plena crise, sob tortura, cravado num poste, o Filho de Maria reza: “Pai, perdoai-lhes. Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34) Pisando suas pegadas, o primeiro mártir da Igreja, Estevão, repetirá a mesma oração ao ser apedrejado pelos judeus (cf. At 7,60) O grande desafio de viver e praticar esta passagem do Evangelho de hoje está na nossa própria casa, no trabalho e entre os amigos mais próximos .

 Ser cristão não é fácil. Jesus nunca disse que seria. Talvez seja parte de nossa cruz sermos incompreendidos, ridicularizados e até desprezados por nossas reações diante de algumas situações e pessoas. Mas, se fizermos o propósito de a cada dia reagir segundo o Cristo, poderemos repelir os ataques com a não-agressão, quebrando assim a espiral de violência que toma conta da nossa sociedade e que nos deixa embevecidos por bens materiais, explosivos no trânsito e cegos para o essencial. Poderemos levar outros à reflexão e fazer o Reino de Deus acontecer.

 Que o Senhor nos dê a sensatez para gastarmos a nossa vida em busca dos fins e não dos meios. Que Ele nos ajude a escolher corretamente as sementes que plantamos ao longo de nossas vidas. O Senhor nos falou: “Amai vossos inimigos!” Aquele que ama seus inimigos é semelhante ao Senhor. Mas só é possível amar os inimigos pela graça do Espírito Santo. Quem não ama seus inimigos não pode conhecer o Senhor, nem a doçura do Espírito Santo. O Espírito Santo ensina a amar os inimigos a ponto de se ter compaixão deles como dos próprios filhos. Por isso, desde que alguém te feriu, reza a Deus por ele e guardarás a paz e a graça divina. Sem rezar pelos inimigos a alma não pode ter paz!

Desejo a todos uma abençoada semana.