Vox Dei nº 437 de 05 de fevereiro de 2017

“Estive preso e vieste me visitar”, este já chegou a ser lema da Campanha da Fraternidade em 1997 com o tema “Cristo liberta de todas as Prisões”.

Quando somos vítima da violência nos assaltos ou temos conhecimento e/ou vivências de atrocidades, pode haver uma apropriação do conceito de castigo ou de aplicação de qualquer tipo de corretivo que implica inteiramente ao desejo da vítima.

A palavra vingança é muitas vezes a tradução do sentimento que acomete a quem sofre com a maldade alheia. Mas ela é um perigo!

A pena aplicada judicialmente jamais pode ter a vingança como escopo!

No Brasil, se adota um sistema progressivo de cumprimento de pena conforme a Lei de Execuções Penais que estabelece a função da integração social do condenado e do internado.

Há alguns anos vi um ribeirinho já idoso ser preso por crime ambiental – derrubou árvores para construir uma casa já que a sua estava caindo.

Vi também, uma mulher cega e analfabeta ser presa por fraude ao INSS. Sua aposentadoria teria sido obtida ilegalmente. Estes são exemplos daquilo que à primeira vista parecem terríveis injustiças!

Esse contexto nos remete a alguns questionamentos: Quem merece estar preso? Quem poderia obter condenações alternativas à prisão?

A lei brasileira nos diz: Essas pessoas idosas e de perfil completamente diferente do criminoso perigoso, violento e que se recusa a comparecer perante o juiz, também são consideradas criminosas.

Dessa forma, há de haver um olhar completamente desprovido de condenação antecipada àqueles que estão em situação de prisão. Deve-se, portanto, ir ao encontro de meios legais para que a haja possibilidade de uma restauração digna de uma pessoa humana. Mas para isso, temos que exercer a cidadania e cobrar incisivamente das autoridades responsáveis uma infraestrutura mínima que permita esse trabalho.

A Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belém tem sido incansável em levar aos presos a possibilidade de uma conversão interior profunda e definitiva por meio de Jesus. É um trabalho permanente que não ficou parado lá naquela antiga Campanha da Fraternidade. Vamos incluir esses voluntários em nossas orações. Eles atuam junto àqueles por quem Jesus veio (pecadores) e que estão excluídos do convívio social, mas que de nossas atenções e orações não devem ser lembrados constantemente.