Vox Dei nº 435 de 22 de janeiro de 2017

Jesus inicia a sua missão fazendo um apelo e um convite, ao mesmo tempo, à conversão, passando pelas ruas dos nossos bairros, das nossas cidades, nos estados, províncias e países. Assim como nas regiões descritas neste evangelho suas palavras continuam a ressoar, não só no mundo mas em cada coração humano, pois sua Palavra é verdade eterna: “convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”.

Este convite à conversão constitui a conclusão vital do anúncio feito pelos apóstolos depois de Pentecostes. Nele, o objeto do anúncio fica totalmente explícito: já não é genericamente o “reino”, mas sim a obra mesma de Jesus, integrada no plano divino predito pelos profetas. Ao anúncio do que teve lugar com o Jesus Cristo morto, ressuscitado e vivo na glória do Pai, segue-lhe o premente convite à “conversão”, a que está ligada o perdão dos pecados.

Tudo isto aparece claramente no discurso que Pedro pronuncia no pórtico de Salomão: “Deus deu cumprimento deste modo ao que tinha anunciado pela boca de todos os profetas: que seu Cristo padeceria. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados” (At 3,18-19). Este perdão dos pecados, no Antigo Testamento, foi prometido por Deus no contexto da “nova aliança”, que Ele estabelecerá com seu povo (cf Jr 31,31-34). Deus escreverá a lei no coração.

Nesta perspectiva, a conversão é um requisito da aliança definitiva com Deus e ao mesmo tempo uma atitude permanente daquele que, acolhendo as palavras do anúncio evangélico, passa a formar parte do reino de Deus em seu dinamismo histórico e escatológico. Os destinatários da mensagem de Jesus são todos os que se abrem à Palavra para escutá-la com sinceridade, alcançam a paz, a salvação, a vida. Ele continua a revelar-se para nossa humanidade, quando fazemos o esforço necessário para nossa conversão. Após receber o batismo de João, Jesus inicia uma nova fase em sua vida. Deixa a sua cidade de origem, Nazaré, onde morava sua família, e vai morar em Cafarnaum, às margens do mar da Galileia. Jesus percorre a Galileia, onde se encontravam gentios e judeus.

O grande número de doentes e enfermos era a expressão das precárias condições de vida do povo oprimido, com o qual Jesus se relacionava e comungava. A ele acorrem, também, as multidões provenientes das regiões exclusivamente gentílicas, vizinhas da Galileia. Fica bem em evidência o caráter universalista do anúncio de Jesus, visando à libertação de toda opressão e ao favorecimento dos mais pobres.

Ao iniciar minha missão como novo pároco desta paróquia, vejo neste texto um projeto pastoral para nossa paróquia. O projeto “NOVA PARÓQUIA COMUNIDADE DE COMUNIDADES” da CNBB, nos mostra que é urgente a conversão pastoral. Esta consiste num seguimento radical a Jesus, deixar-nos ser conduzidos por Ele, que nos envia em missão. Não há missão autêntica sem seguir e anunciar Jesus Cristo!

Deus abençoe a todos.