Vox Dei nº 433 de 08 de janeiro de 2017

Pronto, já chegou o futuro! É hora de começar a concretizar as promessas ou cobrar do tempo aquilo que se estabeleceu como meta no ano que passou.

Em tempos de mídias sociais, recebemos tantas mensagens falando de felicidade, paz, amor, prosperidade que nem damos conta de responder! Por vezes, a remessa desregrada se torna enfadonha a ponto de algumas pessoas demonstrarem aborrecimento pelo excesso de mensagens “fofinhas” que recebem no fim do ano.

Assim, percebemos o nível de intolerância que as pessoas vão desenvolvendo ao longo da vida. Entendo esse fato como um boicote ou uma auto sabotagem, quando a pessoa já não consegue aceitar simples votos de bons augúrios. Imagino que aquela pessoa já incorporou de tal forma a tristeza, o mau humor ou a infelicidade, que não consegue mais se alegrar ou abrir seu coração para a alegria.

Vimos pelo noticiário que um pai foi capaz de pular o muro de uma residência e matar doze pessoas que se confraternizavam, dentre as quais seu próprio filho a quem dizia amar! O homem aparentemente “normal” extrapolou todos os limites chegando ao máximo da perversidade ao tirar a vida das pessoas em um momento de comemoração. Sua frustração pessoal não lhe permitia entender a alegria de outras pessoas.

Quando atribuímos a falta de Deus a episódios assim, muitas vezes não observamos o quanto temos de intolerância e falta de sintonia com a harmonia em nossa volta. Quando deixamos de observar que existe a possibilidade de entrar em estado de graça, de alegria ou mesmo de serenidade para entender o momento em que estamos vivendo, com certeza absoluta também estamos sem Deus no coração e nas ações.

Amar a Deus é se lançar num estado de graça e ser incapaz de fazer mal a alguém. É amar com amor verdadeiro, incondicionalmente e sem egoísmo.

Ficar horas sentado à frente da TV é uma atitude solitária de quem apenas quer ver a vida passar diante dos olhos e não criar mais expectativas sobre algo concreto a realizar.

Um sintoma clássico da desilusão com a vida é deixar de sonhar, de se programar, de criar, de estabelecer contato com qualquer tipo de relacionamento que envolva emoção. Mas há tanto a fazer!

Vi uma mulher idosa escrevendo cartas para quem não sabe escrever, uma outra costurando vestidinhos para meninas necessitadas, um homem cuidando de cães doentes nas ruas, uma menina catando selos de latinhas para comprar cadeiras de rodas, um homem ensinando a tocar instrumentos a uma comunidade de crianças e jovens, e ainda um outro ensinando esportes marciais a outro grupo de crianças, enfim, cada um dá o que tem. Se não tem, conclama a quem tem e faz acontecer.