Vox Dei nº 460 de16 de julho de 2017

Charlie é um bebê Britânico que nasceu com uma doença rara e está internado num hospital Europeu sendo mantido vivo através de recursos médicos artificiais. Segundo a Corte Européia de Direitos Humanos (CEDH) seu corpinho estaria sendo submetido a um sofrimento atroz e por isso decidiram que os aparelhos que o mantém vivo, seja desligado. Aparentemente a interveniência do Papa Francisco está surtindo efeito para que seus pais possam transferi-lo para os Estados Unidos onde teria chances de vida através de um tratamento experimental.

Em sua manifestação, o Papa Francisco disse: "defender a vida humana, principalmente quando ela está ferida por doenças, é um empenho do amor que Deus confia a cada homem".

No Brasil, o sistema público de saúde que em tese deveria atender a população desassistida, vem sendo sucateado há muito tempo. Há tanto sofrimento, angústia e desespero na busca por um atendimento médico digno e eficiente, tantas pessoas que se veem obrigadas a tirar de suas parcas economias um valor para custear um plano de saúde e assim tentar suprir essa falta de humanidade dos agentes públicos.

Essa assertiva não tem cunho político eleitoreiro, e sim uma reflexão sobre a consciência coletiva do valor da vida. A vida é para ser desfrutada com saúde. Então imagino as condições a que os pais do pequeno Charles devem estar passando para lutar para que seu filho possa ter chances de exercer o direito inalienável que é viver.

Pessoas que se acham na condição de determinar sobre quem vive e quem morre, aliviar dores ou curar doenças, estão com uma munição pesada nas mãos.

Quando alguém detona uma arma de fogo ou desfere golpes mortais, seja qual for a motivação, ele é um marginal, bandido, facínora, como o que ceifou a vida de Arthur, um ser humano que vinha sendo gestado há três meses no ventre de sua mãe e teve sua perspectiva de vida futura interrompida depois de um assalto à sua família nas ruas do Rio de Janeiro.

E quem rouba a dignidade humana e o direito à vida porque na qualidade de agente público deveria zelar por ela e não o faz, seja por ação ou omissão, como chamamos esse ser? Ele usou um controle remoto, desses que são ativados de longe para detonar um projétil e atingir alguém aleatoriamente.

Roubos de milhões de dinheiro público pelo país todo, não atingem uma única pessoa que jaz inerte frente ao poder da violência concretizada pelo marginal “comum”, ele faz vítimas aos milhares, ele provoca o vilipêndio na população, porque demonstra seu desprezo, humilhando e menosprezando a necessidade, a dor e a vida das pessoas.

 

Quando Jesus disse aos Fariseus que seu lugar era exatamente ali onde há a necessidade de plantar amor e fraternidade, Ele nos conclama a trabalhar para que Ele esteja realmente entre essas pessoas que desconhecem ou ignoram esses preceitos. Muitas vezes só queremos que  Deus nos favoreça e esquecemos que Jesus nos confiou uma dura missão e a frase do Papa Francisco deveria estar gravada na memória de todo ser humano.           

Adiene Cavalcante Brabo