Vox Dei nº 449 de 30 de abril de 2017

Ainda estamos todos vivendo sob o impacto das celebrações da semana santa quando fazemos memória da paixão e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Algumas pessoas teimam em se perguntar por que o filho de Deus passaria por tanta dor física e humilhação para ao final triunfar ileso ressuscitando dos mortos.

Naturalmente a ideia de poder extremo, nessa nossa cabecinha que adota os parâmetros do poder humano ou de Estado para cotejar com as coisas de Deus, realmente tem dificuldade para entender.

Na atualidade parece que há uma revolução em andamento. Tantos tabus sendo quebrados e tantas verdades sendo desmitificadas, tantas mentiras e falcatruas vindas à tona, tanta desordem e falta de comando, tantos conflitos e guerras sem qualquer justificativa aceitável!

Se analisarmos o contexto da época da Paixão de Jesus, vamos verificar que não era diferente. Desde antes de seu nascimento havia um clamor por ordem, justiça e paz. A justiça necessária não seria aquela jurídica institucionalizada, mas a justiça que vem do coração do homem! Nessa justiça há a força do espírito de igualdade entre todos os seres humanos. Há espírito de coletividade, de irmandade, de comunidade, de solidariedade, caridade, harmonia entre os diferentes e destes com os iguais.

O grande diferencial daqueles tempos para estes atuais, é que nós já temos nosso paradigma perfeito, já temos o manual completo da perfeita convivência em harmonia. Aquele Jesus no corpo humano morto na cruz transcendeu à morte e trouxe a luz na sua ressurreição.

Quando Deus colocou Jesus no mundo, Ele nos fez ver o quanto Dele há em cada ser, o quando de capacidade de fazer o certo cada pessoa tem. Se o Salvador chegasse em meio a uma luz brilhante emprestando majestade, pirotecnia e show de poderes mágicos, nenhum homem poderia jamais conseguir imitá-lo, saber que é possível ser digno na dor, ser franco no amor e ter poder baseado unicamente na fé de que em Deus, tudo se pode alcançar.

Quem precisa roubar milhões pra se sentir feliz e poderoso não tem noção do que é a riqueza de ser amado, não sabe o que é sentir-se pleno e realizado com algo que edifica e constrói um mundo justo e igualitário no tratamento entre as pessoas, não sabe como é bom o poder de fazer o bem, de ser justo, amigo, solidário e fraterno.  Não sabe não!

Quando qualquer ser humano se reveste de majestade baseado unicamente na força ou no poder do dinheiro, ele pode até querer, mas jamais poderá se apropriar da dignidade de ser Rei, porque Rei é aquele que consegue reinar em si mesmo, comandar suas ações para edificar a si mesmo. Jesus nunca foi rei neste mundo, Ele é Deus do Universo!