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Publicação de 2016

O Processo Seletivo

Vox Dei nº 425 de 13 de novembro de 2016

Há poucos meses vivenciamos as Olimpíadas e as Paralimpíadas onde os competidores, após intensivo período de treinamento, demonstraram suas performances. No caminho, inúmeros processos seletivos de aferição de índices, com superação de obstáculos físicos, logísticos, estruturais, financeiros, profissionais, e assim sucessivamente.

Há um enorme “combo” para se tornar um vencedor. Verifica-se na realidade, um conjunto de ações que vão além da capacidade física dos atletas e do treinamento constante. Há que ter a técnica profissional dos treinadores, ao lado de inteligência e estratégias.

De outro modo, verifica-se no Brasil um outro tipo de Olimpíada devido à grande quantidade de candidatos a ocupar uma vaga, tanto para o ensino quanto para o serviço público. Só que, nesse caso, uma indústria paralela vai se formando e tornando mais difícil a aprovação. Verifica-se uma desproporção entre a qualidade do ensino público e o particular que parece criar um fosso intransponível. Só que não!

Assim como aqueles atletas, a superação dos obstáculos está intimamente ligada não só à capacidade do candidato, mas ao seu empenho pessoal. Assim como no âmbito esportivo, muitos precisam superar problemas sociais graves, desassistência básica na alimentação, saúde, saneamento, emprego e ... de educação e ensino!

Assim, uma sucessão de situações vai desmotivando tantos jovens para o estudo ou para trabalho. Fraudes, corrupção, descrédito no ensino público de base e incipientes políticas públicas de educação.

Quando alguém, que se esforça tanto, não consegue alcançar seu objetivo e parte para o “lado obscuro da força”, há muito perdeu não só a motivação, mas a alma. Ela foi vendida, ou dada ao mal: a pessoa trama, urde e age com má fé, com a sanha da burla, da trapaça, do engodo e, sem estudar, frauda processos seletivos!

O número 144 mil, descrito na Bíblia, nos aponta para um outro processo seletivo que não há como trapacear. Neste, existe um padrão inicial de 12 vagas que, multiplicadas, podem chegar a números infinitos. Aqui a prova é permanente. Neste, não há concorrentes, há irmãos. Neste, torna-se necessário, também,  muito empenho pessoal pois as provas são duras, difíceis. 

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21, 19)

Vox Dei nº 425 de 13 de novembro de 2016

No final de mais um ano litúrgico, é providencial a reflexão do Evangelho de hoje. Jesus nos fala, claramente, de coisas, fatos e acontecimentos que fazem parte do nosso cotidiano e que são, em verdade, sinais de que os prognósticos do Senhor já se manifestam no mundo. Guerras, revoluções, terremotos, fome, peste, miséria, violência, fazem parte das manchetes dos jornais e das edições extraordinárias dos noticiários da TV. Jesus, porém, nos esclarece, que isso ainda não é o fim, mas que é preciso essas coisas acontecerem primeiro.

É importante ressaltar que este discurso introduz a narrativa da Paixão, tradição com características próprias que circulava entre as primeiras comunidades cristãs. A referência ao Templo se dá por este ser a sede do judaísmo no tempo de Jesus; Ele, a propósito, já denunciara que o Templo tornara-se um antro de ladrões. Sua palavra sobre a destruição do Templo, além do fato histórico, tem o sentido do abandono da antiga doutrina emanada do Templo para dar lugar à novidade de Jesus. As religiões excludentes, que consolidam grupos privilegiados religiosos ou raciais, são descartadas para a grande revelação do Deus de amor universal, que chama a si todos os povos e raças, comunicando-lhes sua vida divina e eterna.

 

Mas o objetivo primeiro da nossa meditação, no entanto, é fazer uma avaliação da influência que temos dentro desse cenário tão sombrio em nossos dias. Imaginamos que as guerras são apenas aquelas que acontecem longe de nós, entre povos distantes, porém Jesus vem nos falar de perseguições dentro da nossa própria casa, entre pais, irmãos, parentes e amigos. É justamente aí que nós estamos situados, como possíveis colaboradores das desgraças que acontecem no mundo, atualmente.

Os nossos relacionamentos dentro da família e da própria comunidade cristã acontecem, muitas vezes, num clima de disputas por poder, dinheiro e rivalidades, os quais constituem os germes da violência e da agressão. Nenhum de nós, nem as nossas famílias, estamos dispensados “dessas coisas pavorosas” de que nos fala o Evangelho. Os sinais são evidentes e facilmente detectados na maneira como nos tratamos uns aos outros: frequentemente com grosseria, ou pior, com indiferença e desprezo.

Dessa forma, a vida vai se tornando um “salve-se quem puder” e, se pensarmos bem, não aproveitamos os seus desafios para testemunhar a nossa fé, como sugere Jesus. “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”, esse é o Seu conselho para nós, hoje. Portanto, mesmo diante de tantos sinais de destruição, poderemos ter um coração tranquilo e, na reta final de mais um ano de aprendizado, ter plena confiança de que não perderemos nem um só fio de cabelo da cabeça e que a nossa perseverança nos fará ganhar uma vida nova, no final de tudo.

A Vela acesa, a Vela apagada

Vox Dei nº 424 de 06 de novembro de 2016

Durante as celebrações do Dia de Finados, muitas pessoas correm aos cemitérios para rezar e acender velas em intenção de seus parentes e fiéis defuntos.

Para algumas pessoas é um ponto de encontro onde se veem parentes e conhecidos que mal se falam durante o ano todo. Naquele breve encontro aproveitam para falar daqueles que já se foram para a eternidade, mas tratam de falar também dos vivos. Lamentam não se ver com frequência e então vão embora para mais um tempo sem se ver, sem se falar, não se visitam, não dão ou recebem flores, não rezam juntos e não se deixam iluminar pela vela acesa.

Parece um verdadeiro paradoxo: acendem-se velas aos mortos e apaga-se a vela no bolo de aniversário de nascimento. Essa lógica parece mais ligada ao costume, à tradição, sem que saibamos o real significado dessa prática.

No dia de finados, fazemos memória aos mortos mas também é um excelente momento para uma reflexão sobre como estamos convivendo e tratando dos vivos, daqueles que por exemplo fazem parte da família ou que fazem ou fizeram parte de sua vida em algum momento.

A homenagem à pessoa que já morreu e que nos é cara, provavelmente faça melhor a nós mesmos do que a ela. É preciso extravasar angústias, saudades, arrependimentos, enfim, o sentimento de impotência perante o imutável se apresenta e já não se pode voltar ao tempo que já passou.  

Assim, homenagear os vivos por suas vitórias, presentear ou oferecer um regalo, um mimo, um sorriso, uma palavra uma atenção até o momento em que isso já se torne impossível em face da morte, também deveria ser mais que o preceito de um único dia no ano.

Reforçar laços, conviver, nem sempre é para compartilhar alegrias, elas podem trazer dissabores, mas estes também fazem parte dos relacionamentos e igualmente podem ocasionar mais união desde que ultrapassados com igual fervor.

 

Trazer as pessoas para um convívio mais intenso pode merecer uma mão de obra acima das possibilidades momentâneas, mas atualmente a internet é uma ferramenta que aproxima também. Mesmo que virtualmente, podem-se reatar laços perdidos pela geografia e pelo tempo. Vamos combinar que manter a vela do convívio acesa é bem mais gratificante? 

“Será grande a vossa recompensa nos céus” (5, 12)

Vox Dei nº 424 de 06 de novembro de 2016

Neste Evangelho Jesus faz o anúncio do Sermão da Montanha, iniciado pela proclamação das bem-aventuranças. É o programa do Reino dos Céus já presente entre nós, pois elas constituem as virtudes da vida de Jesus. Elas são, segundo Santo Agostinho, uma regra perfeita de vida cristã, pois nelas encontramos valores universais que podem ser entendidos e acolhidos por todos. 

Diante desse belo programa de vida, vemos que nossa ventura e felicidade não dependem de nada que seja material, nem de uma vida fácil e sem problemas. Pelo contrário, Jesus nos esclarece que, para sermos bem- aventurados, precisamos experimentar a carência e a dependência da graça que vem do alto. E assim, Ele proclama felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os perseguidos e injuriados por causa do reino. 

Jesus também coloca para cada bem-aventurança uma consequência que é como um benefício, a fim de que alcancemos o estágio de “bem- aventurado”, de Santo. Para avaliar se somos tudo isso a que se refere o Evangelho, precisamos verificar se estamos vivendo as propostas do Reino dos Céus, se nos sentimos consolados, se temos bons relacionamentos, se buscamos a santidade, se estamos promovendo a misericórdia, se temos comunhão com Deus e nos consideramos Seus filhos, se somos perseguidos, mas, mesmo assim, vivemos alegres apesar das humilhações e dificuldades. 

Portanto, bem-aventurados(as) seremos todos nós, se levarmos como meta de vida a nossa Fé em Jesus Cristo e no que Ele nos ensina em Sua Palavra. Ser pobre, aflito, manso, faminto, misericordioso, puro de coração, promotor da paz, perseguido, insultado, na concepção humana, é

uma infelicidade. Porém, se nos aprofundarmos na sabedoria de Deus, o Espírito nos convencerá de que tudo isso é inerente à nossa condição humana. Em outras palavras, quando nos reconhecemos completamente dependentes da misericórdia do Pai, então, todas essas dificuldades transformam-se em ocasiões para que experimentemos o Seu Amor infinito, e aí então, seremos realmente felizes. 

 

A nossa felicidade aqui na terra está condicionada à experiência pessoal com o Amor de Deus. Com efeito, todas as ocasiões em que formos mais provados, serão justamente os momentos em que mais teremos a amostra da ação de Deus em nossa vida. É por isso que as bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo, sendo cada vez mais permeado de fraternidade, justiça e paz.

Ao lixo o que é do lixo

Vox Dei nº 422 de 30 de outubro de 2016

Alguém fez uma postagem onde uma reflexão sobre uma sucessão de atitudes grosseiras e estúpidas iam sendo tomadas na medida em que um pai de família chegava aborrecido do trabalho onde fora destratado e despejava toda sua fúria sobre sua esposa que por sua vez maltratava o filho, que chutava seu cão, que corria para a rua e mordia uma senhora que ia ao hospital e que lá também recebia um péssimo atendimento e ao voltar para sua casa encontrava o filho muito aborrecido porque seu jantar não estava pronto e sua cama ainda estava desfeita. Então essa mulher calmamente, tratou seu filho com toda doçura e foi preparar uma boa refeição e ainda lhe arrumou o quarto enquanto este tomava banho.  Depois do jantar, já refeito sua mãe foi dar-lhe boa noite e só então o filho viu o curativo na perna da mãe e percebeu o quão grosseiro fora e então pediu desculpas por sua rudeza e insensibilidade e sua mãe lhe disse simplesmente: - Meu filho, temos que quebrar a cadeia do mau. Não se pode desejar a paz e o bem se somos nós a semearmos a discórdia e a desunião!

Por isso quando recebi uma outra reflexão sobre o que o autor chamou de A Lei do Caminhão de lixo, não pude deixar de associar e completar aquilo que pode ser uma estratégia para se disseminar a boa convivência: Um homem acabara de pegar um taxi e logo em seguida uma manobra brusca do taxista os livrou de um terrível acidente provocado por outro motorista que passou xingando, o taxista simplesmente sorriu e acenou amigavelmente. Então, ante ao espanto do passageiro o falante taxista lhe dizia: - “Muitas pessoas andam por aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, raivas e traumas e descarregam sobre a gente! Apenas sorria, acene-lhes e siga sem pegar o lixo dessas pessoas e nem espalhar em sua casa, no trabalho ou nas ruas, deixe o lixeiro passar, pessoas felizes não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia! Ame as pessoas que te fazem bem e trate bem as que não fazem!  

Quem nunca passou por momentos de mau humor puro e simples? Quem mesmo sem querer não magoou ou feriu alguém por estar com raiva de outra pessoa? Quem, mesmo sem razão aparente, despeja grosseria e até impropérios contra alguém que absolutamente nem merece? E ainda, quem, tendo a oportunidade não “solta os cachorros” contra alguém que “precisa ouvir poucas e boas”?

 

Entendo que todos temos maus momentos, mas, temos que aprender a despejar nosso lixo, no confessionário por exemplo, de lá saímos renovados, puros, limpos, para uma vida renovada e cheios da graça de Deus!

“Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19, 9)

Vox Dei nº 423 de 30 de outubro de 2016

Movido pela curiosidade, muito comum no ser humano, a experiência de Zaqueu o levou a ter um encontro pessoal com Jesus de forma a ser convertido e, por conseguinte, a ter um gesto concreto de penitência. Embora fosse ele um pecador público, pela narrativa percebemos que ele mesmo provocou aquele encontro com o Mestre.

Este Evangelho nos mostra que o homem vive em busca d`Aquele que pode lhe dar paz e serenidade, no entanto, muitas vezes não consegue por causa da própria vida que leva, cheia de ocupações e preocupações, pelos afazeres, enfim, por todas as coisas lícitas e ilícitas que pratica! Todavia, aquele (a) que se deixar olhar por Jesus e atender ao Seu convite, terá a sua vida salva e verá, aqui na terra dos viventes, o supremo bem de uma vida transformada.

O gesto de Zaqueu ao subir na árvore, significa para nós o esforço que devemos fazer para nos reconciliar com Deus. Apesar da “multidão” que nos atrapalha e tenta nos impedir de fazê-lo, assim como de todas as barreiras que nós mesmos levantamos, teremos sempre a oportunidade de “subir na árvore” para encontrar Jesus. A árvore poderá ser uma pessoa amiga, em quem nos apoiamos, ou alguém que nos leva para um grupo de oração ou a algum lugar no qual podemos conhecer Jesus. Ele está atento a todo e qualquer gesto nosso que possa sugerir um desejo de conversão e mudança de vida.

Porém, Ele não quer que fiquemos “em cima da árvore”, ou melhor, dependendo de que alguém nos apresente a Ele. Por isso, Ele nos manda, “descer da árvore” para que possamos levá-Lo para a nossa casa: “Hoje eu devo ficar na tua casa”, disse Jesus a Zaqueu. Todos nós que recebermos Jesus Cristo em nossa casa teremos encontrado a verdadeira bem-aventurança.

É na nossa casa, no nosso interior, que o Senhor deseja permanecer. É no convívio do nosso coração que o Senhor faz a Sua obra de misericórdia acontecer, nos levando a um arrependimento sincero a ponto de também devolvermos a Deus tudo o que Lhe é de direito: a nossa vida.

Mesmo que não tenhamos nos apoderado de nada alheio, talvez sejamos devedores do amor de Deus que guardamos no coração e não passamos adiante. Por isso, não podemos nos esconder no meio da multidão, debaixo dos nossos pecados e das nossas faltas do passado. Precisamos também, como Zaqueu, procurar Jesus, acolhê-Lo na nossa casa para que permaneça junto da nossa família, a fim de que tenhamos um encontro pessoal com a salvação.

 

Se quisermos realmente ser pessoas diferentes aos olhos humanos, façamos como Zaqueu: chamemos a atenção de Cristo para nós! Certamente veremos que Ele vai querer “entrar em nossa casa”, em toda a nossa vida, pois Cristo nos ama e quer que sejamos salvos!.

Quando penso no Círio...(3ª parte)

Vox Dei nº 422 de 23 de outubro de 2016

Quando os poetas e escritores descrevem em suas obras um amanhecer com o canto de pássaros em busca de calor para procriar, evoca uma placidez e um bucolismo que acalma a alma, que dá uma sensação de serenidade e paz!

Por muitos anos era assim o amanhecer na Praça Santuário em frente à Basílica de Nazaré em Belém do Pará. Na época do Círio, no verão Amazônico, uma grande samaumeira recebia uma infinidade periquitinhos verdes que vinham passar o Círio em Belém.

Na concha acústica próxima àquela grande árvore resquício de floresta nativa, mais música! Os shows de atrações musicais ecoam todas as noites em uma grande festa de louvores ao grande autor da vida e para evangelização através da música. A praça fica lotada de fiéis que vem de todos os cantos para assistir o show depois da missa na Basílica.

A devoção em Nossa Senhora de Nazaré contagia a quem presencia as manifestações de fé do povo, irmana, congrega e inspira a tantos compositores que a cada ano trazem músicas e cânticos de fervor Mariano.

A cultura dos fogos de artifício presentes à festa do Círio de Nazaré, não é local, é globalizada e vem de tempos remotos desde a invenção do fogo e depois o da pólvora. Os fogos são artifícios celebrantes da alegria, do anúncio, da comunicação de um evento, felizmente auspicioso! Durante todo o período do Círio eles foram agregados a cada programação, principalmente as feitas com a imagem peregrina.

Desde a Alvorada, ao meio dia e no ângelus às 18h até o encerramento das programações soltavam-se foguetes. Na trasladação o grande e lindo espetáculo pirotécnico fica por conta dos estivadores e arrumadores e na chegada da Berlinda à Catedral, mais fogos!

Na noite do encerramento das programações do Círio, a diretoria da festividade promovia uma linda e comovente homenagem iluminando o céu por trás da Basílica e anunciando que no dia seguinte seria o Re-Círio.  A cada pipocar dos fogos, um momento de contrição e reverência à Mãe de Jesus. Os corações ardendo de fervor, os olhos ávidos pelas pequenas luzes na esperança de serem iluminados pela graça solicitada! 

Já há algum tempo o uso dos fogos vem sendo questionado por autoridades ligadas ao meio ambiente, principalmente por conta de denúncias de pessoas que sentem desconforto e um breve desassossego. Geralmente são não-católicos. Os periquitinhos da samaumeira também servem de motivação para a proibição do uso desses artefatos, notava-se a morte de alguns deles depois dos festejos.

 

Há quem diga por aí, que os periquitinhos ficaram muito tristes sem o glamour dos fogos no encerramento e foram buscar outras fontes de luz e devoção...  

“Tem piedade de mim que sou pecador!” (Lc 18, 13)

Vox Dei nº 422 de 23 de outubro de 2016

No Evangelho de hoje Jesus nos mostra, com clareza, que pensamento tem a respeito da nossa oração, especialmente diante de Deus que nos conhece mais do que nós mesmos. Ao mesmo tempo passamos a compreender o sentido real e concreto do ato de ser humilde. 

Comparando a oração do fariseu com a do publicano, vejamos o que Jesus nos ensina: o fariseu nomeia todas as suas observâncias, tudo o que faz, conforme manda a Lei! Ele não conta nenhuma mentira e faz aquilo mesmo, só que confia absolutamente no poder da sua prática para garantir-lhe a salvação. Assim, dispensa a graça de Deus, pois, se a Lei é capaz de salvar ele não precisa da graça. E o fariseu ainda se dá ao luxo de desprezar os que não viviam como ele, ou porque não queriam, ou porque não conseguiam: “Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos.” 

O publicano também não mente quando reza! Longe do altar, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito em sinal de arrependimento e dizia: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. E era a verdade mesmo, ele era vigarista, ladrão, opressor do seu povo, traidor da sua raça, mas tinha consciência disso, e não só disso, mas do fato de que por ele mesmo seria incapaz de mudar a sua situação moral. Sua única esperança era lançar-se diante da misericórdia de Deus. 

Para o espanto dos seus ouvintes, Jesus afirma que o desprezado publicano voltou para a casa “justificado” por Deus, e não o outro, o fariseu. Pois é Deus quem nos torna justos por pura gratuidade, e não em recompensa por termos observado as minúcias duma Lei. 

O farisaísmo entrou fortemente nas tradições de espiritualidade, permanecendo até os dias de hoje. Como as nossas pregações reduziam a fé e o seguimento de Jesus à uma observância externa duma lista de Leis! Como reduzimos Deus a um mero “banqueiro”, que no fim da vida faz as contas e nos dá o que nós “merecemos”, segundo uma teologia de retribuição! Segundo aquele entendimento, quem tem a conta em ‘haver’ com Ele, ganhará o céu, e quem está em dívida irá para o inferno... E a graça de Deus? E a cruz de Cristo? 

Paulo mudou de vida quando descobriu que a Lei, por si só, não era capaz de salvar, mas que somente Deus salva através de Jesus Cristo, sem mérito algum nosso! Com esta descoberta, se libertou e defendia este seu “evangelho” a ferro e fogo! O texto de hoje nos convida a examinarmos até que ponto deixamos o farisaísmo entrar em nossas vidas; até que ponto confiamos em nós mesmos como agentes da nossa salvação; até que ponto nos damos o direito de julgar os outros, conforme os nossos critérios. É uma advertência saudável e oportuna alertando contra uma mentalidade “elitista” e “excludente” que pode insinuar-se na nossa espiritualidade, como fez na do fariseu, sem que tomemos consciência disso!

 

 

Quando penso no Círio...II

Vox Dei nº 421 de 16 de outubro de 2016

Na semana passada eu dizia que é muito difícil traduzir o Círio de Nazaré em uma única e criativa frase porque ele tem vida própria tão logo se iniciem os trabalhos para organizar o próximo.

Em entrevistas na televisão os romeiros maravilhados demonstram admiração por tantas demonstrações de fé em Nossa Senhora de Nazaré.

Há poucos anos a Missa campal em frente a Catedral da Sé, e que dá inicio à grande procissão, passou a ser celebrada à partir das 5h da manhã. Assim, nem bem recuperados da trasladação, os romeiros já estão aguardando o início da missa.A praça do complexo Feliz Luzitânia, vira um grande dormitório, é até difícil encontrar um lugar sobre o gramado para que homens, mulheres, idosos e crianças durmam sob o céu para ao amanhecer disputar um bom lugar, seja na corda, na missa ou para acompanhar bem pertinho da Berlinda.

Fiquei muito admirada com a quantidade de pessoas que levam alimentos e água a esses penitentes peregrinos.

Ainda na escuridão da noite, ao chegar, a praça já estava lotada, rostos cansados mas com uma serenidade no olhar, no cantar, no participar da celebração. É emocionante ver o céu nascer no dia do Círio, naquela praça ao lado de tantos irmãos de fé.

Atualmente com as redes sociais, observam-se manifestações de grande amor e fé à Virgem de Nazaré, a alegria de confraternizar em família é exposta e compartilhada com todos.

Dentre essas manifestações observei muito feliz, que uma amiga que professa a fé Judaica desejava um Feliz Círio a todos. Ela acabava de celebrar o ano novo Judaico. Assim, pode-se entender que a tolerância religiosa deva ser uma prática possível. Do mesmo modo que alguns irmãos Cristãos Evangélicos desinteressadamente ajudavam a minimizar os impactos físicos dos peregrinos que participam das procissões. Isso é gratificante!

Alunos de Escolas Católicas tradicionalmente abrem a procissão carregando as Bandeiras, seguindo-se os carros dos anjos, o carro dos milagres geralmente em forma de um grande barco.

Arquibancadas são colocadas ao longo do trajeto para aqueles que não podem acompanhar ou preferem a comodidade de um acento. Corais, Padres cantores, Cantores populares procuram fazer sua homenagem através de cantos marianos. As fachadas das casas e dos prédios são ornamentadas e decoradas saudando a Mãe de Jesus. Empresas mandam distribuir pequenos leques ou abanadores de papel com a letra de músicas entoadas durante as procissões, como um útil objeto de divulgação de seu negócio.

Em meio a procissão os Ambulantes vendem toda sorte de mercadorias que vão desde as fitinhas, terços e santinhos, camisetas, bonés, brinquedos de miriti, até água e alimentos. No meio do trajeto, no Edifício Manoel Pinto da Silva, uma saudade e uma homenagem: Dom Vicente Zico, já falecido, há muitos anos assistia a passagem da Berlinda da sacada de um dos apartamentos era sempre saudado pela multidão que já se habituara a vê-lo ali. ...ainda não acabou, tem mais!

“Deus lhes fará justiça” (Lc 18, 8)

Vox Dei nº 421 de 16 de outubro de 2016

A reflexão deste trecho do Evangelho, que conta a parábola do juiz injusto, nos leva a meditar sobre a justiça de Deus em relação à nossa fé. Se o juiz da parábola, injusto e não temente a Deus, atendeu ao pedido da viúva em vista da sua obstinação, quanto mais nos fará Deus Pai, quando nos voltarmos com fé e suplicarmos pelas nossas necessidades? A insistência e a perseverança da nossa oração revelam que somos humildes diante de Deus e faz com que demonstremos crença irrestrita nos projetos a que nos propomos. Por isso, a constância da nossa oração já é uma prova de fé.

Cristo nos estimula a orar e persistir na fé com a certeza absoluta da resposta do Pai às nossas orações, mas muitas pessoas se interrogam como é que Deus permite tanta barbaridade acontecendo no mundo, marcado pela presença de injustiças, ganância e corrupção. Aparentemente o mal parece prevalecer sobre o bem, mas lembremo-nos de que Deus está no comando do mundo, portanto, esperar n´Ele é prova de Fé e de paciência. Quem não persevera na oração, nunca poderá ver realizados os seus pedidos, nem poderá exercitar a sua fé. Sabemos que, sozinhos, somos impotentes e incapazes de alcançar tudo o que almejamos, no entanto, confiando na justiça divina poderemos desejar até coisas consideradas impossíveis. Por isso, a persistência das nossas reivindicações nos torna firmes e nos faz ter convicção e confiança na promessa de Jesus de que tudo quanto pedirmos ao Pai, em Seu nome, nos será atendido.

Assim, pois, Jesus nos ensina e nos dá a indicação para alcançarmos os desejos do nosso coração: insistir, persistir e nunca desistir. A insistência da nossa oração exercitará em nós a perseverança e a certeza de que o que desejamos está de acordo com a vontade do Pai. Quando desistimos com facilidade dos nossos pleitos diante de Deus é sinal de que não temos muita segurança no que pedimos. A perseverança fortifica a nossa alma, mas com ela deve estar de braços dados a esperança, significando a espera com confiança.

A viúva pediu ao juiz para fazer-lhe justiça contra o seu adversário. Assim também devemos pedir ao Senhor que a Sua vontade se realize na nossa vida, porque justo para nós é tudo o que o Senhor nos conceder. Não tenhamos receio em bater à porta do Pai para expressarmos nossas necessidades, mesmo sabendo que devemos nos contentar com tudo quanto Ele nos conceder, pois Ele sabe o que necessitamos, assim como o que precisamos para ser feliz. Nunca devemos cansar de pedir, de suplicar por aquilo que o nosso coração deseja. Não percamos a nossa esperança, Deus proverá! A qualidade da nossa fé é para o mundo um testemunho vivo, capaz de atrair muitas pessoas a também abraçarem a causa de Jesus e, assim fazer com que Ele, quando voltar, ainda encontre fé sobre a terra.

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