Vox Dei nº 432 de 01 de janeiro de 2017

O ano litúrgico antecipa-se ao ano civil, iniciando-se com o tempo do Advento que prepara o Natal. Na oitava do Natal, em 1º de janeiro, a Igreja faz a comemoração de Maria, “Mãe de Deus”. Este título de Maria, atribuído pelo Concílio de Éfeso (431), realça a íntima união entre a divindade e a humanidade, revelada na encarnação de Jesus. A maternidade divina de Maria vem, de certo modo, preencher a carência do feminino na imagem tradicional de Deus, particularmente no Primeiro Testamento. Nas devoções a Maria, os fiéis buscam a face materna de Deus.

No evangelho, continuamos a contemplar os fatos relacionados ao nascimento de Jesus. Depois de terem sido avisados pelos anjos, os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria, José e o Menino Jesus envolto em faixas, colocado numa manjedoura, o único lugar que encontraram para que o menino nascesse. Belém foi a cidade escolhida para abrigar a Família de Nazaré e ser cenário do nascimento do Filho de Deus. Belém, hoje, é a nossa casa que recebe também a visita da Santa Família de Nazaré e onde o anjo se apresenta para mais uma vez nos anunciar tudo o que diz respeito a esta família.

A Sagrada Família é modelo de obediência, de simplicidade, de humildade e de justiça. Nela nós podemos nos nortear para cultivar relacionamentos de amor segundo a vontade do Pai. É na nossa casa que nos reunimos pai, mãe, filhos irmãos e irmãs. E é na família que acontece a salvação noticiada pelos pastores, conforme lhes informara o anjo, mensageiro de Deus. É para a nossa família toda que o Senhor promete derramar as bênçãos.

Os pastores saíram anunciando com grande alegria e todos ficaram maravilhados com o que eles contaram sobre as palavras do anjo. Maria percebia mais além do que todas as pessoas e “guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração.” Ela alcançava no seu coração os mistérios de Deus e sondava qual seria a vontade do Pai para o Filho que nela fora gerado e agora era colocado no mundo. Outra mãe no seu lugar tornar-se-ia cheia de orgulho e admiração pela sua própria conquista, pelo privilégio, pela fama, e ficaria apenas no superficial. Assim sendo, Maria nos dá exemplo de sobriedade, de discrição, de simplicidade.

Nós, a exemplo de Maria, precisamos ir fundo nos acontecimentos da nossa vida a fim de que percebamos nas nossas “aparentes” conquistas, o que é essencial para Deus e não para nós mesmos. Maria guardava os fatos e meditava sobre eles em seu coração. É este também o nosso papel diante das coisas extraordinárias que nos são anunciadas: guardar com carinho no nosso coração e perceber os sinais de Deus através do desenrolar da nossa vida, confirmando-os na Palavra e nos ensinamentos evangélicos. Abramos a porta da nossa casa para que a Sagrada Família nos ensine a fazer a vontade do Pai e, então, todos os nossos planos serão bem sucedidos. Ensina-nos, ó Mãe, a sermos discípulos de Jesus neste novo ano!