Vox Dei nº 426 de 20 de novembro de 2016

Celebramos neste Domingo a Festa de Cristo Rei, encerrando solenemente o calendário litúrgico da Igreja. Enquanto o ano civil termina em 31 de dezembro, o ano da Igreja está terminando hoje. A festa de Cristo Rei foi criada pelo papa Pio XI, em 1925, para ser festejada no domingo anterior à festa de Todos os Santos. Na reforma litúrgica feita pelo Concílio Vaticano II, porém, a festa foi mudada para o último domingo do ano litúrgico.

Foi muito feliz a colocação dessa festa no último dia do ano litúrgico. A ele, o nosso rei, é que devemos dedicar, num ofertório final, todas as lutas do ano que se findou. O lucro de nossas atividades cristãs durante o ano deve ser depositado diante do trono do nosso Rei.

Neste sentido, o Evangelho quer nos ajudar a refletir sobre o verdadeiro “reinado” de Cristo, que diverge da concepção puramente humana. É de lá, do alto da cruz que Jesus é chamado de “rei”. Todos caçoavam e zombavam Dele, cobrando uma atitude de autossalvação e duvidando de que Ele fosse verdadeiramente o Filho de Deus, portanto, o Ungido, Rei das nações. Jesus, no entanto, não se justificava nem mesmo se manifestava diante dos insultos, porque tinha plena consciência de que tudo o quanto Lhe acontecia era parte da história do Seu calvário, de sua paixão, morte e ressureição.

Se analisarmos bem o conteúdo deste Evangelho, iremos perceber que, somente uma vez,

Jesus deu ouvidos e respondeu a alguém. Foi justamente na hora em que um dos malfeitores crucificados ao Seu lado lhe dirigiu a palavra: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado”. A resposta que Jesus deu a esse homem é um sinal de que depende de cada um de nós a entrada no Seu reinado, isto é, no paraíso, como foi dito por Ele: “Em verdade eu te digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

A nossa fé e dependência de Jesus, o reconhecimento do nosso ser pecador e a adesão ao projeto salvífico de Deus, nos abrirão as portas do paraíso. Quando confessamos os nossos pecados e reconhecemos a maldade que existe em nós por causa do nosso estado original, Deus é fiel e justo para nos perdoar e acolher na Sua misericórdia. O paraíso, portanto, é a misericórdia do Senhor que nos abriga e dá alento na nossa caminhada terrena.

Portanto, entrar no paraíso é viver o reino de Deus, desde já, porque Ele está próximo. O reino de Deus é Jesus, o nosso Salvador e Redentor que se fez homem e como tal, se entregou aos homens como uma oferta a Deus pela remissão dos nossos pecados. Ele enfrentou a morte de Cruz com paixão e por amor a nós. Temos em nós as marcas dessa Paixão, por isso o reino de Deus acontece, em nós e a partir de nós, nas nossas ações de amor que são promotoras da paz e da justiça. Se queremos realmente, entrar no paraíso e participar do reinado de Jesus, precisamos tê-Lo como nosso Rei e Senhor das nossas vidas, dos nossos planos e dos nossos ideais.