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Eu Te seguirei para onde quer que fores” (Lc 9, 57)

Vox Dei nº 405 de 26 de junho de 2016

Estamos diante do Evangelho de São Lucas, e hoje ele traz uma mensagem importante para o nosso crescimento espiritual. Jesus está preparando sua caminhada missionária para Jerusalém, e Ele sabe que lá está o final de Sua missão redentora por nós: a paixão, morte e ressurreição!  Por isso, precisa de fieis discípulos para a continuidade da grande missão do reino de Deus que deverá continuar no mundo, quando Ele for arrebatado.

Jesus está decidido a enfrentar todos os desafios, a começar pela Galileia indo pela Samaria, razão pela qual enviou discípulos à sua frente para preparar o lugar onde ficar, mas Ele não foi aceito pelos Samaritanos, quando souberam que se dirigia à Jerusalém.

Os Judeus não gostavam dos Samaritanos, por isso construíram um templo no Monte Garizim para Javé; não podiam ir à Jerusalém por ter como inimigos o povo de Israel e Judá. Todos os Judeus evitavam passar por Samaria, e faziam seus caminhos passando pelo lado montanhoso, do mar da Galileia.

Apesar desta controvérsia, este é um dos textos mais enfáticos sobre o seguimento de Jesus em todo o Novo Testamento. Ele apresenta a questão de que, para ser discípulo de Jesus, devemos pagar um “preço” e temos que ter consciência da “urgência” de seu chamado.

O preço a pagar é a certeza de que seguimos um Senhor que, embora seja dono de todo o Universo, foi rejeitado e humilhado. Nossa vida não será diferente da d’Ele. Ser discípulo de Jesus significa assumir a disposição de ter uma vida simples, até mesmo com algumas necessidades, passar por incompreensões, às vezes estar sozinho nas lutas. Se não for assim, não estaremos aptos para seguir ao Senhor Jesus. 

Levar o nome de cristão também implica em colocar o reino de Deus como prioridade em nossa existência. O texto ilustra isso de um modo chocante: nossas relações familiares. Se não estivermos dispostos a pagar o “preço” de colocar Jesus acima de tudo, até mesmo da família, e de assumir essa decisão com rapidez, pois o reino de Deus exige urgência, não conseguiremos ser discípulos. Você já pensou nisso? 

“E vós, quem dizeis que Eu sou?“ (Lc 9, 20)

Vox Dei nº 404 de 19 de junho de 2016

O evangelista Lucas nos apresenta hoje a preocupação de Jesus sobre o conceito que as pessoas têm e fazem da Sua pessoa e então formula aos discípulos a inquietante pergunta: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” E o interessante disso tudo é que os discípulos escutavam os mesmos comentários que chegaram aos ouvidos de Herodes: que Jesus era ou João Batista, ou Elias, ou algum dos profetas antigos que ressuscitou. Mas o que Jesus realmente queria saber era o que os seus discípulos pensavam a respeito d´Ele. E nesse momento é Pedro quem toma a iniciativa da resposta e erguendo a voz diz: “Tu és o Cristo de Deus!”

A palavra Cristo vem do grego, é uma tradução literal de “Messias”, e significa ungido. Esta resposta de Pedro tem todo um significado.

Mas, então, as pessoas da época não sabiam que Ele era o Ungido de Deus? O Filho de Deus? Que não deveriam esperar que viesse outro? Pois é, não sabiam. Somente os discípulos sabiam disso. E foram severamente proibidos de comentar isso com alguém até que Ele passasse pelo martírio, morte e ressurreição.

Para Pedro, Jesus é Filho do Homem. É o Deus que se faz humano, convivendo no dia a dia com as multidões e comunicando-lhes Seu amor divino e eterno, que permanece para sempre, além da morte. A pergunta: “E vós quem dizeis que Eu sou?“ exige um comprometimento pessoal. Pedro corajosamente mostrou sua crescente lealdade, ao afirmar que Jesus era o Cristo de Deus. Nesta confissão Pedro quis dizer que Jesus era o único Deus, Filho ungido para Seus propósitos. Quais propósitos? A maioria não tinha ideia, portanto Jesus não queria que Seus discípulos divulgassem o que Pedro havia dito. Ao invés de um Rei ungido para sofrer e morrer por pecadores, a maioria dos judeus estavam à procura de um rei que trouxesse libertação política. Jesus, então, deixou claro o preço que teria que pagar para seguir a confissão de Pedro num mundo que não apenas estava confuso a Seu respeito, como também era contra Seu ministério. Concordar com a confissão de Pedro significaria causar conflito entre os crentes e o mundo, e os levaria a negar a si mesmos ao carregarem a cruz do discipulado. 

Seguir a Cristo lá e aqui tem seu preço, seu custo: dar a sua vida por amor aos seus irmãos. Peça e ore ao Senhor para que te ajude a abrir mão, se preciso for, da segurança, conforto e diversões deste mundo para O seguir. Que Ele te ensine a negar a ti mesmo, carregar a cruz e segui-Lo, pois, sua promessa é: “quem perder a vida por minha causa, este a salvará”.

“Teus pecados estão perdoados“ (Lc 7, 48)

Vox Dei nº 403 de 12 de junho de 2016

Temos acompanhado, nos últimos domingos, o Evangelho de Lucas apresentando narrativas sobre Jesus como um amigo que se aproxima das pessoas, independentemente de sua religião e condição social. Continuando essa característica, a liturgia deste domingo nos fala de um Deus de bondade e de misericórdia, que detesta o pecado, mas ama o pecador. O trecho conta a história “da mulher pecadora”, e é só Lucas que narra esse episódio também conhecido como o “Evangelho da Misericórdia”. Para evangelizar, Jesus aceitava com alegria os convites para fazer refeições nas famílias… Vai à casa de Simão e a conversa estava animada… de repente aparece uma mulher intrusa… a mulher já era pouco valorizada, imaginem uma prostituta? Ela enfrenta a condenação dos “bem comportados”. Não fala nada. Suas lágrimas e o perfume precioso falam por ela. O gesto tocou o coração de Jesus.

Por que procurou Jesus? Provavelmente já O conhecia. O Mestre devia tê-la impressionado profundamente. O seu olhar era diferente dos que a olhavam com interesse para aproveitar de seu corpo e sua beleza… ou dos que a desprezavam… ou a condenavam… O “muito amor” manifestado pela mulher é o resultado da atitude de Jesus: nasce de um coração agradecido que não se sentiu excluído, nem marginalizado, mas que nos gestos de Jesus tomou consciência da bondade e da misericórdia de Deus. No episódio, encontramos três personagens: um que convida, um que é convidado e uma que aparece sem ser convidada. Três olhares diferentes: o olhar orgulhoso de Simão, com desprezo daquela pecadora e com desconfiança até do gesto de Cristo, o olhar misericordioso de Cristo, que valoriza o gesto de amor da pecadora e censura a arrogância do fariseu puritano, e o olhar humilde da pecadora, que reconhece seu pecado e descobre no gesto de Jesus a misericórdia de Deus. A atitude de Deus: Ele ama sempre… Ele ama todos como filhos e a todos convida a integrar a sua família. É esse Deus que temos de propor aos nossos irmãos e que precisamos apresentar àqueles que a sociedade trata como marginais.

A figura de Simão representa os que, instalados nas suas certezas e numa prática religiosa feita de ritos e obrigações bem definidos e rigorosamente cumpridos, se acham “em dia” com Deus e com os outros. Consideram-se “bons cumpridores” de suas obrigações e desprezam os que não as cumprem. Em nossas comunidades, há ainda hoje situações semelhantes? Sabemos que a Igreja não é formada de “justos”, mas de pecadores que foram perdoados e necessitam sempre do perdão de Deus e dos irmãos. Quantas vezes também nós podemos nos considerar mais ou menos “perfeitos” e desprezamos os que nos parecem pecadores, imperfeitos? A exclusão e a marginalização não geram vida nova, só o amor e a misericórdia interpelam o coração e provocam uma resposta de amor.

“Jovem, Eu te ordeno, levanta-te“ (Lc 7, 14)

Vox Dei nº 402 de 05 de junho de 2016

É característico de Lucas apresentar Jesus caminhando, Ele é o companheiro em nossa peregrinação terrestre, é um Jesus amigo, vai sempre conosco. Outro aspecto do Jesus que nos apresenta Lucas é a sua proximidade com o povo, especialmente com os pobres, doentes e marginalizados. Nele Deus se faz próximo e, mais ainda, nessa cercania revela-se como um Deus compassivo. O Deus que Jesus nos mostra é um Deus que sente e, mais ainda, sofre com seus filhos e filhas. Adentremo-nos mais... Jesus caminha com seus amigos e amigas e, entrando na cidade, vê a peregrinação que leva o jovem defunto, mas ele se detém na mãe viúva que chora a perda do filho único.

Assim como sentiu compaixão da viúva da cidade de Naim, Jesus continua hoje, olhando para as mães que choram pelos seus filhos “mortos” pelo mundo e continua fazendo milagres no meio do seu povo. A cena descrita nesse trecho do Evangelho retrata fielmente o que acontece no mundo de hoje. Quantas mães também que choram e acompanham o filho “morto” pela falta de esperança, pela droga, pela desarmonia, pelas frustrações!

O “caixão” significa para nós tudo o que prende, escraviza e oprime. De uma maneira geral o pecado é o caixão que nos atrela e nos faz parecermos mortos e sem esperança. No cenário descrito por Lucas, Jesus tocou no caixão e ordenou ao jovem que se levantasse e ele sentou-se e falou. Ao tocar no caixão do morto Jesus tocou no que o aprisionava e o impedia de ser livre para caminhar. Assim também Ele faz com cada um de nós que ainda estamos presos nos nossos pecados, isto é, a tudo o que nos impede de caminhar livremente em busca do projeto de felicidade que Deus já traçou para nós. Por isso, mesmo diante da morte, precisamos manter viva a chama da nossa fé em Jesus Cristo que está sempre perto e, continuamente, terá compaixão de nós.

Como sempre, as palavras de Jesus vão acompanhadas de gestos concretos. Neste versículo, depois de falar à mulher, Jesus "se aproximou, tocou no caixão" e a procissão fúnebre parou. Detenhamo-nos neste momento. Não é um detalhe o que Jesus faz. Quem gosta de se aproximar da morte, de senti-la, tocá-la? Ninguém, e menos ainda na cultura de hoje onde todo o sofrimento, ou morte, é escondido, silenciado. Mas a realidade grita, e nosso Mestre nos revela que Ele não tem medo de entrar nela, de se fazer solidário com o sofrimento de todos os seres humanos. A cruz é a manifestação máxima dessa solidariedade. Somos convidados a procurar uma maior justiça através da bondade.

Peçamos ao Senhor que Ele opere milagres ao nosso redor; que Ele enxugue as lágrimas de todas as mães que choram pelos seus filhos e, ao mesmo tempo, que Ele levante todos os jovens que se sentem desanimados pelo peso que o mundo põe às suas costas. Assim, nós também poderemos testemunhar os milagres que acontecem ao nosso redor e anunciar como aquela comunidade: “Deus veio visitar seu povo”!

“Tudo o que o Pai possui é meu” (Jo 16, 15)

Neste Evangelho Jesus nos promete o Espírito Santo da verdade, o qual nos revela os planos de Deus e nos prepara até para as coisas futuras. Isto significa que não estamos aqui à mercê da sorte, mas o Pai tem um plano para cada um de nós e o Espírito Santo é quem nos ajudará a realizar tudo conforme a Sua vontade. Por isso mesmo é que as coisas que Jesus tem a nos dizer só nos serão compreensíveis quando nos apossarmos do Espírito da verdade que Ele já nos enviou e nos convence da verdade. O Espírito Santo é Aquele que nos dá o conhecimento da vontade do Pai e dos Seus projetos para a nossa vida. Somente Ele é capaz de nos fazer compreender a Palavra, as moções, os fatos e acontecimentos e até as coisas que estão por vir.

Deus vive no nosso coração e o Seu Espírito nos conduz. Enquanto não nos deixarmos mergulhar no Espírito Santo, nós, como os discípulos de Jesus, não seremos capazes de compreender as revelações do Senhor em relação à nossa vida, à nossa missão e, também para as nossas realizações pessoais e familiares. Jesus e o Pai são Um e têm em Si o entendimento perfeito do que é bom para cada um de nós. Nós podemos perceber as Suas revelações por meio da Sua Palavra, mas também por intermédio de pessoas que são mensageiras dos recados de Deus para nós. Seremos Seus fiéis seguidores se acolhermos as Suas orientações de coração, sem dúvidas nem questionamentos. Quando nós obedecemos às ordens de Deus nos submetendo à orientação das pessoas que Ele coloca à nossa frente para nos conduzir, nós caminhamos com mais segurança e em harmonia com a Sua vontade. Esse é um dos sinais da presença de Deus em nós.

Portanto, a festa de hoje não é apenas uma oportunidade para falar da Santíssima Trindade ou compreender e decifrar o que significa “Um em Três”… É um convite para contemplar Deus, que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens e mulheres para os fazer comungar nesse mistério de amor. Deus não é um ser solitário que vive sozinho, perdido no infinito. O princípio do Amor é o Pai. Sua realização concreta está no Filho Jesus. A perpetuação desse amor é o Espírito Santo. É a festa da Comunidade! As Comunidades cristãs devem ser a expressão desse Deus que é amor, que é comunidade, vivendo numa experiência verdadeira de partilha, de família, de unidade… pois a Trindade é a melhor das comunidades. É a festa do Batismo, que nos tornou participantes da vida da Trindade. Hoje somos chamados a renovar nosso compromisso batismal para sermos reflexos da Santíssima Trindade, sinais de comunhão. Quanto mais nos esforçamos para viver a comunhão, a partilha e a esperança num mundo tão dividido, individualista e desesperançado, melhor entenderemos o Mistério da Santíssima Trindade. Que o Deus Uno e Trino continue a abençoar nossa comunidade Paroquial, para sermos expressão de unidade e comunhão!

“Recebei o Espírito Santo“ (Jo 20, 22)

Como lemos no evangelho da Festa de Pentecostes, os discípulos estavam trancados, por medo dos judeus, e Jesus apareceu-lhes trazendo-lhes a Sua paz e o Seu Espírito. A presença de Jesus Ressuscitado veio confirmar, para os discípulos, que eles não estariam sós e nunca seriam abandonados por Deus. Isso indica que precisamos ter consciência de que, no nosso Batismo, nós também recebemos o Espírito Santo, por isso não podemos separar a paz de Jesus do Seu Espírito. Quem tem o Espírito Santo tem paz, porque sente o amor do Pai e do Filho. Todos nós, que temos convicção do amor de Deus, sentimos a paz em nosso coração, pois provamos da misericórdia do Pai e temos a certeza de que os nossos pecados são perdoados. Nunca precisaremos trazer a nossa alma atribulada pelos acontecimentos do mundo, se recebemos o Espírito de Jesus no nosso Batismo e com Ele também a sua paz.

A nossa carne é fraca e se ressente, porém o nosso coração está firme porque Jesus é quem nos assegura: “A paz esteja convosco”, “Recebei o Espírito Santo”. Somos enviados a levar ao mundo esta paz e o amor de Cristo que experimentamos com o poder do Seu Espírito. O Espírito Santo é quem nos envia, nos acompanha e nos motiva a seguir adiante na nossa caminhada. É Ele quem nos sustenta nas batalhas que travamos no nosso dia a dia. É também Ele quem nos tira da acomodação e nos faz enxergar as coisas do céu, que fogem à nossa visão humana.

Neste sentido, o dom do Espírito Santo foi um elemento fundamental na experiência missionária dos primeiros cristãos. Com a ascensão do Senhor, eles se viram às voltas com uma tarefa desafiadora: levar a mensagem do Evangelho a todo o mundo. A missão exigiria deles fazer o Evangelho ser entendido por pessoas das mais variadas culturas. Deveriam ser capazes de enfrentar dificuldades, perseguições e até mesmo a morte, por causa do nome de Jesus. Muitos problemas proviriam dos judeus, pois a ruptura com eles seria inevitável, dada a intransigência da liderança judaica para com a comunidade cristã que tomaria um rumo considerado inaceitável. Sem dúvida, não faltariam problemas dentro da própria comunidade, causados por partidarismos, falsas doutrinas e atitudes incompatíveis com a opção pelo Reino.

Os discípulos eram demasiado fracos para, por si mesmos, levar a cabo uma missão tão grande. Jesus, porém, concedeu-lhes o auxílio necessário ao comunicar-lhes o Espírito Santo. Fortalecidos pelo Espírito, eles não se intimidaram, antes, cumpriram, com esmero, o ministério da evangelização.

O dom de Pentecostes renova-se a cada dia na vida da Igreja. O Espírito, ontem como hoje, não permite que os cristãos cruzem os braços diante do mundo a ser evangelizado. Confiamos ao Espírito Santo a vida de nossa Paróquia e a Festividade 2016 que se inicia hoje!

“Vós sereis testemunhas de tudo isso“ (Lc 24, 48)

A Ascensão é o término da missão terrena de Jesus, embora continue sua atuação mediante o Espírito Santo. Por sua vez, inicia-se a missão da Igreja, pois ela deve continuar o que Ele começou, fortalecendo nossa esperança. Nós saímos de Deus para um dia voltarmos a Ele. É a fascinante vocação do homem, elevar-se, emigrar para um mundo novo. É um movimento para o alto, um impulso para o infinito, uma procura da vida que não tem fim. E Jesus, que se eleva, nos convida para esta aventura maravilhosa. “Subiu não para se afastar da nossa humildade, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro, onde Ele nos precedeu” (Prefácio da Missa da Ascensão).

A Ascensão de Jesus é a preparação da nossa ascensão: “Vou preparar um lugar para vocês…”, disse Jesus aos Apóstolos. Ele preparou esse lugar, voltando para o Pai, ficando para nós a responsabilidade de conquistar esse lugar. O olhar dos apóstolos, voltado para o céu, simbolizava a esperança de uma volta imediata de Jesus, o desejo de que ele retomasse a obra interrompida. A voz do céu, porém, esclarece que Jesus não iria voltar para continuar a propagação do Reino de Deus, mas eles deveriam continuar a obra do Mestre. E nós enquanto aguardamos a nossa Ascensão, não podemos ficar de braços cruzados, apenas olhando para o céu, indiferentes às injustiças, a violência, as guerras, a corrupção, os direitos humanos, os direitos das mulheres e crianças. Pelo contrário, devemos cumprir a ordem deixada por Cristo: “Vocês serão as minhas testemunhas…”

Será que não poderíamos também ser advertidos pelos anjos de Deus: “Por que ficais aí parados, de braços cruzados, olhando para o céu?” Não é o momento de olhar ao nosso redor e iniciar a Missão? Cristo estava com eles, porque os milagres tornavam fecundas as palavras missionárias dos apóstolos e discípulos, os quais, por sua vez, passaram a ser extensões do próprio Cristo. Seus pés passaram a substituir os pés empoeirados do Mestre. A boca deles passou a ser a boca de Jesus espalhando a semente da Palavra. Os braços passaram a ser prolongamentos dos braços de Cristo abençoando, gesticulando na ânsia incontida da pregação, da cura. As nações daquele tempo foram catequizadas a duras penas, utilizando-se os transportes precários daquela época. Mas Jesus também falou: “Permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. E eles esperaram a vinda do Espírito Santo pela oração, para que em comunhão e unidade, pudessem continuar a missão deixada pelo Mestre.

Nessa semana, somos convidados a rezar pela unidade dos cristãos com o tema “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (1 Pd 2,9), através das orientações do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), que realiza todo ano esta Semana. Unamo-nos pela fé comum a Jesus Cristo em prol da Missão de evangelizar!

“Nós viremos e faremos nele a nossa morada“ (Jo 14,23)

Este domingo é o último antes da Ascensão, que encerra a presença humana de Cristo na terra. O anúncio dessa separação provoca tristeza aos apóstolos, mas Cristo lhes garante que não os deixará sós, pelo contrário, continuará presente, embora de outra forma. A comunidade que ama, torna-se uma morada de Deus.

Diante do que diz o Evangelho, não precisamos de muitas provas para descobrir se amamos ou não a Jesus, mas apenas fazer um exame de consciência para perceber se estamos guardando a Sua Palavra: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”, essa é a proposta de Jesus para nós. Guardar a Palavra significa vivê-La como um ato de fé, sem questionar, mesmo se ainda não a compreendemos. Para nós, já é uma grande graça o fato de que temos acesso à Palavra de Deus Pai, nosso Criador. Portanto, é grande motivo para que sejamos gratos a Jesus que veio nos revelar tudo o que o Pai deseja nos conceder. Jesus veio em Nome do Pai para nos dar uma vida de felicidade e, isto também é o motivo maior para que nós O amemos com todo o nosso ser.

Entre os pagãos, Deus era um ser distante, vingativo… Para o povo de Israel Ele era um Deus mais próximo: “Emanuel”, Deus conosco, a Arca da Aliança, a Tenda… “Porei minha casa bem no meio de vós, e o meu coração nunca mais vos deixará”. (Lev 26,11) No tempo de Jesus a morada de Deus era o Templo de Jerusalém… Para Cristo, Morada de Deus pode ser o coração de todo cristão: “O Pai e Eu faremos nele morada…” Com a Samaritana, fala dos adoradores em “Espírito e Verdade”. Os verdadeiros adoradores do Pai não precisam de uma Igreja de luxo… Deus poderá ser adorado na igreja do coração de todo cristão. Estará presente até os confins da terra. Essa presença do Espírito não pode ficar fechada e escondida no coração dos discípulos. Pelo contrário, deverá ser revelada até os “confins da terra” pelo testemunho dos Apóstolos e de quantos amam Jesus de verdade.

Por isso, quem acolhe os ensinamentos de Jesus está assumindo a vida em abundância prometida por Ele, assim como também fazendo a vontade do Pai. Com efeito, a prova de que amamos a Jesus é a vivência da Palavra do Pai que Ele veio nos anunciar. “… e o Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”, disse ainda Jesus. Quando nós vivemos o Evangelho temos a garantia de que O Pai e o Filho moram em nós com todo o Poder do Espírito Santo. Assim sendo, cumprir a Palavra é morar na casa do Pai. Com toda essa profunda revelação profética, nos perguntamos: depois de vinte séculos, por que ainda nos paralisa o medo em relação ao futuro? Por que tanto receio frente à sociedade moderna? Há ainda muita gente que tem fome de Jesus. O Papa Francisco é um presente do amor de Deus, é uma prova de que tudo nos convida para caminhar em direção a uma Igreja mais fiel a Jesus e a Seu Evangelho. Não podemos ficar parados!

“... deu duas pequenas moedas” (Mc 12, 42)

Jesus estava diante de uma grande multidão e, sem nenhum medo, Ele denunciava os defeitos dos doutores da Lei, aqueles que diante dos homens se apresentavam como puros e santos, porém nas horas vagas faziam coisas contrárias a tudo que ensinavam e se mostravam ser. Gostavam de aparecer, e se aproveitavam das viúvas, e por isso Jesus prometeu a eles a pior condenação.

Ao ressaltar a pequena oferta daquela mulher, Ele estabelece aqui um marco para que possamos aprender como nos ofertar, como nos “gastar” pelo Reino de Deus. São Marcos afirma a simpatia e o amor de Jesus pelos pobres, pois ao observar o gesto da viúva, o Senhor faz com que seus discípulos entendam a disposição dela em dar o seu tudo. O valor desta oferta deriva do fato de que ela expressou a sua disposição em se dar, demonstrando com isso, viver os mandamentos de Deus, porque deu sua oferta com amor, em um gesto de adoração a Deus.

Se também agirmos como esta viúva, nos tornaremos verdadeiros adoradores, que adoram em espírito e em verdade. É desta forma que devemos prestar o verdadeiro culto a Deus: dando tudo de si ao Senhor! Eu posso dar muito e acabar não dando nada, visto que se faltarem qualidade e amor, será como uma obra morta. Ao passo que em um gesto simples, podemos nos entregar por inteiro ao Senhor, e isso terá muito valor diante d’Ele.

Muitos caem na tentação de dar muito, mas acabam percebendo que continuam vazios, pois não houve verdadeira retidão em seu doar-se. Tem de existir em nós o desejo de nos doarmos por amor a Deus. A dureza de coração pode fazer com que as pessoas dêem muito do seu exterior e nada do seu interior.

Devemos nos perguntar: “Como eu tenho ‘gastado’ a minha vida? Eu tenho feito com que essa entrega valha a pena? Estou em busca de agradar a mim mesmo, ou estou fazendo um gesto livre de amor e adoração a Deus?” O que verdadeiramente motiva a sua doação? O Senhor nos conhece e perscruta os nossos corações. A nossa entrega deve ser feita na sua totalidade, para que estejamos de pé diante do Senhor, que acolhe o nosso verdadeiro gesto de amor.

Se quisermos ser verdadeiros construtores do Reino de Deus com gestos de amor, sejamos como esta viúva, entregando-se totalmente, como Jesus, que se esvaziou a Si mesmo para se entregar a nós por amor. Ama verdadeiramente aquele que se dá com totalidade.

“Será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12)”

Vox Dei nº 415de 04 de setembro de 2016

O Sermão da Montanha, introduzido pela proclamação das bem-aventuranças, é o programa do Reino dos Céus já presente entre nós. Elas constituem as virtudes de Jesus. São, segundo Santo Agostinho, uma regra perfeita de vida cristã. Nas bem-aventuranças encontramos valores universais, que podem ser entendidos e acolhidos por todos. As bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo em um mundo de fraternidade, justiça e paz.

Bem Aventurados os pobres de espírito (…). Os bens, desde que sejam adquiridos com justiça, devem ser possuídos e administrados em justiça. A ganância é contrária à pobreza de espírito. Deixemos que o Espírito nos dê um coração de pobre. Somos mendigos do Espírito.

Bem Aventurados os que choram (…). Vivamos numa experiência da misericórdia divina no nosso coração. Deixemos que Deus enxugue as nossas lágrimas e recebamos a sua consolação. Acreditemos que por maiores que sejam os nossos sofrimentos e dores, a Misericórdia divina superabunda tudo isso.

Bem Aventurados os mansos (…). Conhecemos que a mansidão, a paciência e a humildade são caminhos para a glória eterna. Sejamos mansos, puros e humildes.

Bem Aventurados os que têm fome e sede de justiça (…). A nossa fome e sede do espírito são de amor a Deus, que é justiça e de amor ao próximo. Desenvolvamos essa fome espiritual, que só a fé sacia.

Bem Aventurados os misericordiosos (…). A misericórdia é a força do nosso coração. Como a anunciamos aos irmãos?

Bem Aventurados os puros de coração (…). O nosso coração cresce em sinceridade e retidão para com os outros? Cultivamos um coração simples? Deixemos vivificar em nós, a experiência de que somos templos do Espírito Santo.

Bem Aventurados os pacíficos (…). Os nossos valores éticos constituem uma afirmação evangélica contra as normas de uma sociedade desprovida do Deus de Amor. A Paz esteja convosco: disse-nos Jesus. Assim, ela é um dom de Deus. Somos construtores da paz. Nunca se esqueça que a Paz se opõe as atitudes de guerra, de agressividade, de conflito e de autoritarismo.

Bem Aventurados os que sofrem perseguição (…). As perseguições, mentiras e ataques perseguem os discípulos de Jesus. Como ontem, assim hoje são perseguidos, às vezes até pela própria família. Você é perseguido? A explicação está aí. Por isso, aguente firme. Aceitemos tudo isso, para nos deixarmos morrer interiormente, afim de que Cristo ressuscite em nós. Que a partilha das Bem-Aventuranças contribua para uma vivência de vida cristã e de uma comunidade de amor. Deus te abençoe meu irmão, minha irmã, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,

Amém!

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