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“Quem não carrega sua cruz (...) não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 27)

Vox Dei nº 414 de 04 de setembro de 2016

No anúncio da Boa Nova, Jesus aproveitava a ocasião em que as multidões O acompanhavam para esclarecer de que forma acontecia o verdadeiro discipulado para os que desejavam segui-Lo. A partir de Suas lições, compreendemos que o seguimento de Jesus implica na renúncia e no desapego das nossas ideias e vontade própria, como também dos nossos bens, ídolos e projetos. Segui-Lo para uma vida nova é aceitar a revolução que Ele quer fazer em nós, desde o nosso desapego às pessoas, até a anuência à participação na Sua Cruz e o abandono de tudo o que temos de material e de humano.

 Ao apresentar as condições para segui-Lo, Jesus indica que o seguimento a Ele deve ser decisivo por isso Ele pede o desapego aos pais, mães, filhos e à própria vida. Jesus explica que segui-Lo é mais importante, mas não dispensa o amor à família e à vida. Aliás, seguindo Jesus, vamos amar mais a família e cuidar melhor da vida, pois vencemos os pecados que destroem a ambos. Ele, que ensina o amor, não vai propor o ódio como razão da vida.

 Desse modo, Jesus veio mostrar ao mundo uma nova maneira de ser, valorizando o homem na sua dignidade, libertando-o de tudo o que possa escravizá-lo e dominá-lo. Então, para que possamos segui-Lo, precisamos nos sentir homens e mulheres livres de nós mesmos. Muitas vezes professamos com a boca que cremos em Jesus e que desejamos segui-Lo, porém, não fazemos o cálculo de que isto implica em empreendermos uma guerra contra a nossa carne. Por isso, fracassamos nos nossos propósitos.

Quem ama é livre de condições, é livre de circunstâncias, é livre em relação às pessoas, porque ama com o amor de Jesus. A Cruz é decorrente da nossa vivência do amor, porque amar nos traz consequências. Não é fácil amar nem tampouco é fácil assumir os encargos que o amor nos propõe.

Sentar-se para “calcular os gastos” e/ou “examinar as condições” é entregar-se à ação do Espírito Santo que é quem nos capacita a deixarmos tudo e seguirmos a Jesus Cristo como discípulos Seus. Quando Jesus nos diz “se alguém vem a mim...”, Ele quer nos dizer, se “você quer me seguir você deverá viver a lei do amor; você terá que amar como Eu amo; viver como eu vivo; sofrer como eu sofro; pensar como eu penso.”

A renúncia maior há de ser do nosso jeito de olhar as coisas, de julgar e de encarar as pessoas, de nos desapegar dos conceitos adquiridos durante a nossa caminhada de vida, consequência da nossa criação, cultura etc. A renúncia a tudo que não combina com o pensamento do Evangelho e o desapego das coisas e das pessoas, é, portanto, o fundamento para que o reino dos céus viva em nós e Jesus seja o nosso Rei, Senhor e Mestre. Do contrário, estaremos construindo na areia e nunca seremos considerados discípulos e seguidores de Jesus.

“Vai sentar-te no último lugar” (Lc 14, 10)

Vox Dei nº 414 de 28 de agosto de 2016

Este Evangelho nos ajuda a refletir sobre um preconceito muito difundido. Vejamos o que nos dizem as Escrituras: “Num sábado, Jesus entrou para tomar uma refeição na casa de um dos principais fariseus. Todos o observavam”. Ao ler os textos sagrados, nas diversas ocasiões em que citam as atitudes dos fariseus, acabou-se fazendo destes o “modelo” de diversos vícios, tais como, hipocrisia, perfídia, falsidade... Passaram a ser qualificados também como inimigos de Jesus. O termo “fariseu” ingressou, então, no dicionário de muitas línguas, inclusive a nossa, com essa acepção negativa. Por isso retomamos a reflexão de alguns pontos do texto.

Durante a refeição, naquele sábado, Jesus ofereceu dois ensinamentos importantes: um voltado aos convidados e outro ao anfitrião. Ao dono da casa, Jesus disse : “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos…”. É o que o próprio Jesus fez, quando convidou ao grande banquete do Reino os pobres, os aflitos, os humildes, os famintos, os perseguidos.

Dirigindo-se aos convidados, Jesus usou o exemplo dos convivas que escolhem egoisticamente os primeiros lugares para se assentar, num banquete nupcial, a fim de ensiná-los a serem humildes em todas as situações da vida. Aparentemente, esse é um exemplo ingênuo, pois se supõe que quem chega primeiro tem direito aos primeiros lugares. Mas não é, nem deve ser assim. Quando colocamos essa figuração em todas as situações de nossa vida, percebemos que o querer sempre “abiscoitar” o primeiro lugar é uma disposição doentia da nossa humanidade atingida pelo pecado.

Queremos o primeiro lugar na fila do banco, no estacionamento, no trânsito, assim como também almejamos auferir os maiores lucros, tirar o primeiro lugar nos concursos, ser apontado como o melhor, o mais importante, ter o maior salário e, muitas vezes, não medimos esforços para alcançar os nossos objetivos. Nem nos lembramos de que existe “o outro” ou a “outra”, a quem devemos honrar, independentemente de quem seja, pois assim nos ensina a Palavra do Senhor.

Se fizéssemos a experiência de sempre ceder o espaço ao nosso próximo, certamente o nosso coração ficaria gratificado com a alegria que proporcionaríamos a alguém. O exercício da humildade, antes de ser sinal de subserviência, é uma prática evangélica que nos ensina a suportar, acolher, compreender, ajudar, e fazer tudo por amor a Deus. Precisamos tomar consciência de que não há mérito em nos elevar a nós mesmos, em nos elogiar e enaltecer. Se agirmos assim, nunca seremos reconhecidos pelos outros, somente pelo nosso ego.

Deus conhece as intenções do nosso coração quando nos aproximamos das pessoas somente por interesse. Se quisermos agradar a Deus, precisamos convidar também aqueles de quem nada esperamos e não têm como nos retribuir, a não ser com sua gratidão e oração. Aí sim, teremos a recompensa dos justos e seremos felizes. O assento na mesa da festa é apenas uma figura para nos fazer refletir sobre as atitudes que tomamos na festa da nossa vida.

“Bem-aventurada aquela que acreditou” (Lc 1, 45)

Vox Dei nº 413 de 21 de agosto de 2016

Com muita alegria, celebramos, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora! É importante não confundirmos Assunção com Ascensão. A Assunção, é de Nossa Senhora, e vem nos falar, que ela foi levada ao céu, não subiu por si mesma e sim, pelo poder de Deus! Enquanto que a Ascensão, é de Jesus Cristo, e vem nos falar da sua subida ao céu, Ele sim, sendo o próprio Deus, subiu ao céu pelo seu próprio poder! Por isso, o Evangelho escolhido retrata a dignidade de Maria enquanto serva do Senhor, através da visita a sua prima.

Ao chegar na casa de Isabel, após uma longa viagem de pouco mais de cem quilômetros, as duas mulheres se encontram, e não só elas, também os frutos da bondade e do amor de Deus. Por isso a Igreja afirma que Maria foi a primeira anunciadora da boa nova, junto com ela, leva a mesma alegria recebida do anjo, leva também o Cristo e o Espírito Santo.

“Bem aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu!”. Essas palavras de Isabel ao acolher sua prima Maria na sua casa, são hoje para nós uma fonte de esperança para tudo quanto ainda esperamos que aconteça na nossa vida. Com efeito, nós podemos fazer uma avaliação de como anda a nossa confiança nas promessas que Deus tem nos feito, nos nossos momentos de oração. Precisamos estar atentos (as), pois a todo instante o Senhor está realizando em nós algo que faz parte do Seu projeto para a nossa vida. Se Maria tivesse parado para conferir, e cheia de dúvidas ficasse a esperar acomodada a realização da promessa da vinda do Salvador, talvez a história tivesse sido diferente. Pelo contrário, desde o primeiro instante em que acolheu a mensagem do anjo e disse “faça-se conforme a Palavra do Senhor”.

Maria saiu de si, deu o passo e começou a desempenhar o seu papel de portadora da Boa Nova de Deus. Por isso, Nossa Senhora é o próprio Evangelho vivenciado, posto em prática e encarnado. Em Maria O Senhor também nos convoca a sairmos de nós mesmos (as) para darmos um voto de confiança às Suas promessas, agindo de acordo com a Sua Palavra e Seus ensinamentos. Tudo o quanto esperamos de Deus precisa estar de acordo com a Sua Palavra e de conformidade com as Suas promessas para nós. Maria foi a portadora do Espírito Santo para Izabel! Deste modo, a Mãe de Jesus nos ensina que quando levamos Jesus às pessoas, elas também ficam cheias do Espírito, por isso, se alegram com a nossa chegada.

O Espírito Santo é quem realiza a obra do Senhor no nosso coração e é quem nos faz sair de nós mesmos (as) e ir à busca dos que estão necessitados. Sem mesmo percebermos nós somos instrumentos de Deus na vida dos nossos irmãos e irmãs para que se cumpram os Seus desígnios e os Seus planos se realizem. Maria soube distinguir isto e não perdeu tempo, pôs-se a caminho das montanhas esquecendo a glória de ser Mãe de Deus fazendo-se serva, auxiliadora, anunciadora e canal da graça do Espírito Santo. Dessa forma, ela foi a primeira a levar a alegria de Jesus ao mundo! Assim como visitou Isabel, transmitindo a ela e a João Batista, o poder do Espírito, Maria hoje, também nos visita e traz para nós Jesus, cheio do Espírito Santo que nos ensina a cantar, a louvar e a bendizer a Deus com os nossos lábios!

“Eu vim para lançar fogo sobre a terra” (Lc 12, 49)

Vox Dei nº 412 de 14 de agosto de 2016

Neste Evangelho, Jesus mais uma vez nos mostra o seu amor convidando-nos a conhecer Sua missão em meio às alegrias e dificuldades. Ele veio nos trazer o fogo: o Espírito Santo, o Espírito de amor, o Consolador, Aquele que nos ensina todas as coisas.

Sabemos que um dos maiores desejos do ser humano é o de que tudo em sua vida ocorra bem, sem imprevistos, sem “surpresas desagradáveis”. Entretanto, Jesus veio nos avisar de que o fogo que Ele trouxe para a terra é chama que nos queima, por isso nos desestabiliza, e nos tira da passividade.

Jesus tinha consciência de que um dos efeitos do seu trabalho iria ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutavam por um mundo novo. Por isso inflamou a ira dos funcionários do templo e de todos os que se consideravam donos da verdade. O fogo da Palavra de Deus questionava os funcionários saturados de doutrinas e sedentos de poder. Portanto, o fogo de Jesus não é o das paixões humanas, assim como a paz.

Ele se refere aqui, não àquela paz da acomodação e da aceitação passiva de todas as coisas e o conformismo com situações de pecado, de desgraça e tudo o mais. Seríamos então como robôs, marionetes e não usufruiríamos da liberdade, o dom mais precioso que Deus nos concedeu. Claro que numa casa, na mesma família existirão circunstâncias em que uns se voltarão contra os outros, principalmente em relação ao seguimento de Cristo. Devemos observar que Jesus não está atacando o relacionamento familiar, mas indica que nenhum laço terreno, embora muito íntimo, poderá diminuir a lealdade a Ele.

A questão é: uns contra, outros a favor, porém a diferença far-se-á na unidade que o Espírito Santo – o fogo que Jesus veio trazer a terra – promove apesar das nossas divergências. Jesus recebeu o Batismo do martírio, e estava ansioso em cumpri-lo, pois somente assim Ele poderia enviar para nós o fogo do Seu Espírito Santo que é a chama que nos impulsiona para viver o amor com suas consequências. Cumpriu a Sua missão, padeceu, morreu, foi sepultado, mas foi ressuscitado e nos enviou o Paráclito, fogo que se mantém aceso dentro de cada um de nós para nos ajudar a viver as nossas diferenças.

Optar por Jesus pode até mesmo causar, em determinados membros de uma família, que eles sejam afastados ou ignorados pelos outros por terem escolhido a segui-Lo, como consequência da missão, mas isso é agradável aos olhos de Deus!

“Vós também ficai preparados!” (Lc 12, 40)

Vox Dei nº 411 de 07 de agosto de 2016

Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã deve permanecer atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. A responsabilidade é ainda maior quando se sabe o que deve ser feito. O Evangelho de hoje nos traz a temática da vigilância! Precisamos estar preparados, pois se soubéssemos que hoje é o último dia de nossas vidas, o que faríamos? Quantas respostas não?... Uns diriam: “Eu correria para a Igreja a fim de fazer uma boa confissão”. Outros: “Eu perdoaria a todas as pessoas que me ofenderam”; “Eu iria pedir perdão a todos aqueles a quem ofendi”, ou, “Eu iria repartir com os pobres os meus bens”.

Irmãos e irmãs, como é importante refletirmos diariamente a respeito dessa temática, pois, ao criar o mundo, Deus deu ao homem e à mulher uma missão e os capacitou para cumpri-la. Dessa maneira, somos aqui na terra cooperadores do Seu reino e estamos a serviço da casa do Senhor. Todos nós que, pela Fé, assumimos a salvação de Jesus e perseguimos continuamente a conversão, somos administradores do reino do céu que deseja se instalar na terra, seja na nossa família, na comunidade ou no mundo todo. Deus almeja dar a nós, Seus filhos e filhas, uma melhor qualidade de vida, fazendo com que todos participem aqui na terra, de uma vida abundante. Ele nos chamou para que sejamos Seus operários, cuidando do povo que ainda não provou da comida e da bebida que Ele oferece ao mundo.

Seremos considerados Seus fiéis e prudentes administradores, se formos encontrados no lugar exato onde Ele deseja que estejamos. Porém, se nos desviarmos do caminho e, por qualquer motivo, deixarmos para depois o que precisamos fazer hoje, seremos pegos de surpresa pelo Senhor que chegará num dia inesperado, e, assim, sofreremos as consequências da nossa insensatez. A prudência nas atitudes, a coerência de vida, a tomada de consciência do nosso dever, e da nossa missão, são condições para que possamos viver com inteligência a nossa condição de “administradores” fiéis do projeto de Deus. Vivemos com sabedoria quando trabalhamos para aumentar os nossos dons e evitamos o desperdício, a acomodação e a passividade diante dos fatos que nos impõem uma ação concreta de amor. Quanto mais conhecimento tivermos dos mistérios de Deus, mais receberemos condições de vida em abundância e, por isso, muito mais seremos cobrados.

Agora, seria muito triste não zelarmos, não administrarmos bem o que o Senhor nos confiou, os talentos: “a quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!”. É verdade! Deus nos confiou muitas coisas, Deus nos deu muitos dons, nos confiou uma obra... Portanto, temos que ser fiéis àquilo que Ele nos confiou, administrando bem todas as coisas, mesmo sabendo de nossas fraquezas e pecados, pois esta é a nossa missão!

“A vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 13, 15)

Vox Dei nº 410 de 31 de julho de 2016

A reflexão que nos traz o Evangelho deste domingo diz respeito à necessidade de nos preservarmos da ganância. Podemos perguntar: o que está por trás desse texto? Vamos analisar. Naquele tempo havia como que dois modelos econômicos: o do campo e o da cidade. O do campo alicerçava-se na partilha, através da solidariedade, da troca de produtos. Isso impedia que os endividados caíssem em desgraça e tivessem que emigrar para a cidade, tornando-se mendigos ou bandidos. O da cidade, ao contrário, era fundamentado na ganância, no acúmulo, na lei do mais forte. Isso naturalmente é fonte de exclusão e marginalidade, e gera mendicância, violência, roubo. Sem dúvida o texto sagrado de hoje reflete a situação do modelo econômico da cidade e não do campo, revela a avidez e a exploração, não a partilha. Jesus toma posição em favor da partilha, mas sem se colocar como árbitro entre os que possuem riquezas.

Neste Evangelho Jesus nos ensina a mensurar nossa real motivação diante dos bens materiais e avaliar o fascínio que a riqueza exerce sobre nós. Mais uma vez aprendemos com Jesus a nos manter vigilantes em torno dos nossos pensamentos e reais intenções.

Percebendo a ganância da pessoa que pleiteava junto ao irmão a parte que lhe cabia na herança, Jesus narra a parábola do “homem rico”. Assim, Ele deixou bem claro que os bens materiais não se constituem alicerce para assegurar vida longa aqui na terra nem tampouco tijolos para a construção do nosso lar celestial.

Mesmo que a nossa propriedade gere uma grande colheita material, o fato de possuirmos em abundância não nos dá o direito de permanecer na passividade, confiando na boa reserva que temos para muitos anos. Às vezes nós poupamos dinheiro e fixamos o olhar somente no que iremos embolsar em termos de juros e, quanto mais auferimos, mais os nossos olhos “crescem”. Porém, na verdade, nem temos a ciência exata da utilidade desse dinheiro e sua destinação. Parece, que só pelo fato de possuirmos aquele “algo a mais” depositado no banco nós também, como o rico da parábola, podemos nos sentir confortáveis para dizer a nós mesmos: “meu caro, tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!”.

O que Jesus recriminou no rico não foi tanto o fato de ele ter muitos bens ou mesmo de poupá-los, mas foi a sua intenção de guardar a fortuna somente para si, achando-se, por isso, protegido e dono da sua existência. A nossa vida está entregue nas mãos de Deus e somente Ele tem o seu controle, sejamos nós, pobres ou ricos. No entanto, podemos ser ricos diante de Deus quando colocamos tudo o que possuímos à Sua disposição esperando os proveitos e a recompensa na forma que Ele quiser nos oferecer.

“Senhor, ensina-nos a rezar“ (Lc 11, 1)

Vox Dei nº 409 de 24 de julho de 2016 

No evangelho de hoje Jesus responde ao pedido: “Senhor, ensina-nos a orar”, instruindo seus discípulos nos elementos da oração apropriada pelo modelo de oração que Ele dá. No Pai Nosso nós pedimos ao Pai o reino do céu, o pão de cada dia e o perdão das nossas dívidas, prometendo na mesma proporção, perdoar aos nossos devedores. Pedimos também a graça de não cair em tentação e de sermos livrados do mal, que é o pecado. Dessa forma, a oração que Jesus nos ensinou contém os requisitos imprescindíveis para que sejamos atendidos nas nossas necessidades, quais sejam: a perseverança, a fé e a confiança na resposta do Pai.

Hoje ele dá ênfase na importância da fé na oração feita com persistência, por isso Jesus conta a história de alguém que foi procurar um amigo fora de hora e pediu com insistência que lhe emprestasse o pão de que estava precisando para aquele momento, sendo atendido por causa da sua persistência. Depois, Jesus mais uma vez nos fala de perseverança, de fé e confiança, quando nos diz que, na medida em que pedimos, procuramos e batemos na Porta do Pai, nós receberemos o Espírito Santo que é Aquele que nos ensina a orar como convém.

Pedir o Espírito Santo é, portanto, o que nós devemos fazer a cada momento em que nos dirigimos ao Pai, deixando que Ele seja o agente e o administrador da nossa oração. Somente o Espírito Santo de Deus conhece a verdade do nosso coração e as suas reais intenções, por isso, tem a ciência exata das nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais. Somente Ele poderá nos ajudar a cumprir a parte que nos cabe quando rezamos o Pai Nosso que é perdoar àqueles que nos ofenderam e não cair nas tentações a que estamos sujeitos todos os dias. É Ele também que se dirige ao Pai e intercede para que sejamos fiéis à nossa oração pessoal quando temos a chance de escutar Suas confidências e os Seus desígnios para cada momento da nossa vida.

Esta mensagem de Lucas 11 deve fazer de nosso coração o lugar da acolhida do projeto de Deus em nossa vida. Com fé, esperança e confiança, batemos a porta, suplicamos, até choramos apresentando todas as nossas preocupações. Estejamos certos de que o Todo-Poderoso ouvirá, atenderá, e responderá abundantemente de acordo com a profundidade e simplicidade de nossa oração. O desafio se chama: persistência, disciplina e fidelidade na oração. Portanto, como disse Paulo aos novos convertidos de Tessalônica também expressamos: “reze sem cessar”, ou seja: não pare de rezar!

“Maria escolheu a melhor parte” (Lc 10, 42)

Vox Dei nº 408 de 17 de julho de 2016

Assim como Marta, nos encontramos muitas vezes correndo a toda a velocidade, desde o momento em que saímos da cama, de manhã, até a hora em que ‘caímos’ nela de novo, à noite. Dias em que temos prazos a cumprir, tarefas para realizar, reuniões para dirigir, vendas para concluir etc. Mas, alguma vez paramos para pensar que toda essa correria pode ser perigosa?

O cotidiano das irmãs Marta e Maria é semelhante ao nosso em vários momentos. Às vezes, já acordamos com uma grande expectativa para solucionar uma urgência ou atender a um convite. No caso das irmãs, Marta e Maria era que – Jesus e os discípulos estavam chegando para uma refeição e Marta queria que tudo estivesse perfeitamente em ordem. “Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa.” (Lc 10.40).

No capítulo 10 e versículos 40, 41 e 42 do Evangelho de Lucas, a figura de Maria sentada aos pés de Jesus traz para nós uma lição fantástica: a urgência não pode controlar o nosso comportamento. Em vez de ser sugada pela correnteza da correria, escolheu o que era mais importante: sentar-se aos pés de Jesus e tirar vantagem da oportunidade que estava diante dela: “Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela.”

Jesus espera somente uma coisa de nós: parar para ouvir e aprender. Ele disse para Marta que frequentemente o homem aplica as forças e preocupações na performance, realizar, conquistar. Quando o correto, mais sábio e proveitoso é empenhar nossos sentidos a ouvir e adorar o Senhor, assim como fez Maria. A melhor parte não está no realizar, mas em inclinar-se de todo o coração para ouvir a voz do bom Pastor.

Nesse contexto, é importante refletirmos: Você escuta voluntariamente a Palavra de Deus? Na missa, o sermão é algo que se torna enjoativo? Talvez o povo prefira estar parado na frente da televisão... O jornal, o rádio, as mídias sociais têm preferência à Palavra divina proclamada na igreja. Refletimos sobre a Santa Marta original do Evangelho….Entretanto, certamente devemos conhecer bem as “Santas Martas” que convivem em nosso meio: mães, avós, tias, vizinhas, amigas, que nos acolhem tão bem em suas casas, por mais ingratos que sejamos. Elas apenas oferecem o que têm de melhor. Porém, às vezes, precisam ser lembradas que ainda mais importante do que deixar a casa impecável para receber-nos, é preciso abrir a porta do coração para receber Jesus.

“E quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29)

Vox Dei nº 407 de 10 de julho de 2016

Os textos dos Evangelhos sempre apresentam situações nas quais os mestres da lei procuravam confundir Jesus, com questionamentos que punham em jogo o cumprimento da Lei de Deus. No entanto, consciente de que a Lei de Deus é o Amor, Jesus ia muito além do que era convencional, afim de fazer com que transparecesse a mensagem evangélica. Ele, então, lhes mostrava que amar o próximo é acolher a todos que se aproximam de nós para ajudá-los, e ao mesmo tempo, também envolver-se com aqueles mais necessitados. Esse é o objetivo da parábola do bom Samaritano.

Em nossa caminhada terrestre, às vezes, nós somos o necessitado, em outras ocasiões, somos nós os bons samaritanos ou os donos da hospedaria. Nunca seremos autossuficientes a ponto de não precisar de ninguém que nos socorra. Em qualquer situação que nos encontremos, como necessitados ou como colaboradores, somos convocados pelo Senhor a amar o próximo como a nós mesmos. Às vezes nós ajudamos as pessoas e as socorremos por obrigação ou a contra gosto, no entanto a própria Palavra do Evangelho nos mostra que a misericórdia é a primeira regra para a vivência do amor ao próximo. Por isso, o mestre da lei respondendo à pergunta de Jesus sobre quem seria o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes, confirmou: “é aquele que usou de misericórdia para com ele”. A misericórdia, então, é o sinal para que nós possamos ser “o próximo” de alguém. Agir com misericórdia é fazê-lo por amor a Deus. É acolher a miséria do outro com o amor de Deus e não somente com o nosso amor imperfeito e interesseiro.

Nós, ainda hoje, não somos suficientemente bons samaritanos, pois é muito mais fácil fazermos o papel de sacerdotes e levitas, que pregam muitas coisas bonitas, mas não são capazes de estender a mão àqueles que apanham da vida! A Igreja tem de ser Samaritana. Ela tem de buscar os sofredores, os indigentes, os abandonados e os desprezados pelo sistema selvagem em que vivemos! Basta de sermos Igreja espectadora! Já é hora de nos tornarmos Igreja ativa, que trabalha, põe “a mão na massa” para mudar a realidade. Se somente falarmos e olharmos de longe, seremos vistos pela sociedade como um museu que marcha contra a realidade, por isso, queremos resgatar os feridos e os caídos, os pobres e os escravizados, para que assim sejamos vistos como sinal da salvação de Jesus à humanidade; como fermento que faz a massa crescer! Mais sabemos o quanto tudo isso é um desafio...

O Papa Francisco tem se esforçado muito para que a Igreja exerça o seu papel de samaritana, aquela que resgata os feridos e os abandonados, curando-lhes as chagas que a sociedade lhes inflige. Com a sua maneira simples de ser, o Papa convida a todos nós para uma reavaliação de nosso seguimento a Cristo.

“Sobre esta pedra construirei a minha Igreja” (Mt 16, 18)

Vox Dei nº 406 de 03 de julho de 2016

Na narrativa de Mateus encontramos duas de suas características dominantes. Ele acentua a dimensão messiânica de Jesus e já apresenta sinais da instituição eclesial nascente. Escreve no ano 80, quando os discípulos de Jesus, oriundos do judaísmo, estavam sendo expulsos das sinagogas que até então frequentavam. Ele pretende convencer estes discípulos de que em Jesus se realizam suas esperanças messiânicas moldadas sob a antiga tradição de Israel.

Por isso vemos na narrativa que, enquanto caminhava na Sua missão evangelizadora, Jesus quis que os Seus discípulos soubessem quem era Ele, com o propósito de fazê-los participantes do mistério da Salvação. Na verdade, Jesus não estava preocupado com o que os outros pensavam a Seu respeito, por isso, com a pergunta, “E vós quem dizeis que eu sou?” Ele provocou os Seus discípulos a fim de que eles próprios se situassem e tivessem conhecimento espiritual da Sua verdadeira identidade.

Para nós também é muito importante tanto ter conhecimento acerca de nós mesmos, como também de quem somos para aqueles (as) com quem nos relacionamos e interagimos. Cada um de nós tem uma missão muito especial aos olhos de Deus. Somos Seus instrumentos na concretização do Seu plano de salvação. E, por isso, a nossa maneira de ser e de agir, as aptidões naturais vão dando o tom para que as pessoas nos ajudem a descobrir a nossa vocação. Quanto mais tivermos consciência de quem somos aos olhos do nosso próximo, mais facilmente podemos descobrir o nosso carisma e, consequentemente a missão que nos foi destinada por Deus. No entanto, para que possamos entender a nossa identidade e a das pessoas que nos cercam, precisamos entrar em comunhão com o Espírito Santo, que nos convence da verdade e ilumina nossa inteligência.

Inspirado pelo Espírito Santo, Simão foi aquele que apontou a verdadeira identidade de Jesus. Por isso, o próprio Jesus o elogiou! Ele soube escutar a revelação do Pai e proclamar que “Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo”. Foi aí, então, que Jesus o conscientizou da sua missão aqui na terra, dando-lhe poder e autoridade para ser o chefe da Sua Igreja. “Tu és Pedro”, disse Jesus, mostrando que o seu nome identificava a sua missão de pedestal da Igreja nascente. Quando entregou a Pedro as chaves do reino dos céus, Jesus mostrou que o reino dos céus começa aqui na terra, na Igreja que Ele fundou e que tem autoridade para ligar ou desligar. Somos felizes na medida em que, como Pedro, também reconhecemos que “Jesus é o Cristo o Filho do Deus vivo”, por isso está no meio de nós. Você também diante de Deus tem um nome que designa uma missão muito especial que assinala uma virtude, uma qualidade ou uma maneira de ser.

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