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“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!” (Lc 21, 19)

Vox Dei nº 425 de 13 de novembro de 2016

No final de mais um ano litúrgico, é providencial a reflexão do Evangelho de hoje. Jesus nos fala, claramente, de coisas, fatos e acontecimentos que fazem parte do nosso cotidiano e que são, em verdade, sinais de que os prognósticos do Senhor já se manifestam no mundo. Guerras, revoluções, terremotos, fome, peste, miséria, violência, fazem parte das manchetes dos jornais e das edições extraordinárias dos noticiários da TV. Jesus, porém, nos esclarece, que isso ainda não é o fim, mas que é preciso essas coisas acontecerem primeiro.

É importante ressaltar que este discurso introduz a narrativa da Paixão, tradição com características próprias que circulava entre as primeiras comunidades cristãs. A referência ao Templo se dá por este ser a sede do judaísmo no tempo de Jesus; Ele, a propósito, já denunciara que o Templo tornara-se um antro de ladrões. Sua palavra sobre a destruição do Templo, além do fato histórico, tem o sentido do abandono da antiga doutrina emanada do Templo para dar lugar à novidade de Jesus. As religiões excludentes, que consolidam grupos privilegiados religiosos ou raciais, são descartadas para a grande revelação do Deus de amor universal, que chama a si todos os povos e raças, comunicando-lhes sua vida divina e eterna.

 

Mas o objetivo primeiro da nossa meditação, no entanto, é fazer uma avaliação da influência que temos dentro desse cenário tão sombrio em nossos dias. Imaginamos que as guerras são apenas aquelas que acontecem longe de nós, entre povos distantes, porém Jesus vem nos falar de perseguições dentro da nossa própria casa, entre pais, irmãos, parentes e amigos. É justamente aí que nós estamos situados, como possíveis colaboradores das desgraças que acontecem no mundo, atualmente.

Os nossos relacionamentos dentro da família e da própria comunidade cristã acontecem, muitas vezes, num clima de disputas por poder, dinheiro e rivalidades, os quais constituem os germes da violência e da agressão. Nenhum de nós, nem as nossas famílias, estamos dispensados “dessas coisas pavorosas” de que nos fala o Evangelho. Os sinais são evidentes e facilmente detectados na maneira como nos tratamos uns aos outros: frequentemente com grosseria, ou pior, com indiferença e desprezo.

Dessa forma, a vida vai se tornando um “salve-se quem puder” e, se pensarmos bem, não aproveitamos os seus desafios para testemunhar a nossa fé, como sugere Jesus. “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”, esse é o Seu conselho para nós, hoje. Portanto, mesmo diante de tantos sinais de destruição, poderemos ter um coração tranquilo e, na reta final de mais um ano de aprendizado, ter plena confiança de que não perderemos nem um só fio de cabelo da cabeça e que a nossa perseverança nos fará ganhar uma vida nova, no final de tudo.

“Será grande a vossa recompensa nos céus” (5, 12)

Vox Dei nº 424 de 06 de novembro de 2016

Neste Evangelho Jesus faz o anúncio do Sermão da Montanha, iniciado pela proclamação das bem-aventuranças. É o programa do Reino dos Céus já presente entre nós, pois elas constituem as virtudes da vida de Jesus. Elas são, segundo Santo Agostinho, uma regra perfeita de vida cristã, pois nelas encontramos valores universais que podem ser entendidos e acolhidos por todos. 

Diante desse belo programa de vida, vemos que nossa ventura e felicidade não dependem de nada que seja material, nem de uma vida fácil e sem problemas. Pelo contrário, Jesus nos esclarece que, para sermos bem- aventurados, precisamos experimentar a carência e a dependência da graça que vem do alto. E assim, Ele proclama felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os perseguidos e injuriados por causa do reino. 

Jesus também coloca para cada bem-aventurança uma consequência que é como um benefício, a fim de que alcancemos o estágio de “bem- aventurado”, de Santo. Para avaliar se somos tudo isso a que se refere o Evangelho, precisamos verificar se estamos vivendo as propostas do Reino dos Céus, se nos sentimos consolados, se temos bons relacionamentos, se buscamos a santidade, se estamos promovendo a misericórdia, se temos comunhão com Deus e nos consideramos Seus filhos, se somos perseguidos, mas, mesmo assim, vivemos alegres apesar das humilhações e dificuldades. 

Portanto, bem-aventurados(as) seremos todos nós, se levarmos como meta de vida a nossa Fé em Jesus Cristo e no que Ele nos ensina em Sua Palavra. Ser pobre, aflito, manso, faminto, misericordioso, puro de coração, promotor da paz, perseguido, insultado, na concepção humana, é

uma infelicidade. Porém, se nos aprofundarmos na sabedoria de Deus, o Espírito nos convencerá de que tudo isso é inerente à nossa condição humana. Em outras palavras, quando nos reconhecemos completamente dependentes da misericórdia do Pai, então, todas essas dificuldades transformam-se em ocasiões para que experimentemos o Seu Amor infinito, e aí então, seremos realmente felizes. 

 

A nossa felicidade aqui na terra está condicionada à experiência pessoal com o Amor de Deus. Com efeito, todas as ocasiões em que formos mais provados, serão justamente os momentos em que mais teremos a amostra da ação de Deus em nossa vida. É por isso que as bem-aventuranças são o caminho concreto para a transformação deste mundo, sendo cada vez mais permeado de fraternidade, justiça e paz.

“Hoje a salvação entrou nesta casa” (Lc 19, 9)

Vox Dei nº 423 de 30 de outubro de 2016

Movido pela curiosidade, muito comum no ser humano, a experiência de Zaqueu o levou a ter um encontro pessoal com Jesus de forma a ser convertido e, por conseguinte, a ter um gesto concreto de penitência. Embora fosse ele um pecador público, pela narrativa percebemos que ele mesmo provocou aquele encontro com o Mestre.

Este Evangelho nos mostra que o homem vive em busca d`Aquele que pode lhe dar paz e serenidade, no entanto, muitas vezes não consegue por causa da própria vida que leva, cheia de ocupações e preocupações, pelos afazeres, enfim, por todas as coisas lícitas e ilícitas que pratica! Todavia, aquele (a) que se deixar olhar por Jesus e atender ao Seu convite, terá a sua vida salva e verá, aqui na terra dos viventes, o supremo bem de uma vida transformada.

O gesto de Zaqueu ao subir na árvore, significa para nós o esforço que devemos fazer para nos reconciliar com Deus. Apesar da “multidão” que nos atrapalha e tenta nos impedir de fazê-lo, assim como de todas as barreiras que nós mesmos levantamos, teremos sempre a oportunidade de “subir na árvore” para encontrar Jesus. A árvore poderá ser uma pessoa amiga, em quem nos apoiamos, ou alguém que nos leva para um grupo de oração ou a algum lugar no qual podemos conhecer Jesus. Ele está atento a todo e qualquer gesto nosso que possa sugerir um desejo de conversão e mudança de vida.

Porém, Ele não quer que fiquemos “em cima da árvore”, ou melhor, dependendo de que alguém nos apresente a Ele. Por isso, Ele nos manda, “descer da árvore” para que possamos levá-Lo para a nossa casa: “Hoje eu devo ficar na tua casa”, disse Jesus a Zaqueu. Todos nós que recebermos Jesus Cristo em nossa casa teremos encontrado a verdadeira bem-aventurança.

É na nossa casa, no nosso interior, que o Senhor deseja permanecer. É no convívio do nosso coração que o Senhor faz a Sua obra de misericórdia acontecer, nos levando a um arrependimento sincero a ponto de também devolvermos a Deus tudo o que Lhe é de direito: a nossa vida.

Mesmo que não tenhamos nos apoderado de nada alheio, talvez sejamos devedores do amor de Deus que guardamos no coração e não passamos adiante. Por isso, não podemos nos esconder no meio da multidão, debaixo dos nossos pecados e das nossas faltas do passado. Precisamos também, como Zaqueu, procurar Jesus, acolhê-Lo na nossa casa para que permaneça junto da nossa família, a fim de que tenhamos um encontro pessoal com a salvação.

 

Se quisermos realmente ser pessoas diferentes aos olhos humanos, façamos como Zaqueu: chamemos a atenção de Cristo para nós! Certamente veremos que Ele vai querer “entrar em nossa casa”, em toda a nossa vida, pois Cristo nos ama e quer que sejamos salvos!.

“Tem piedade de mim que sou pecador!” (Lc 18, 13)

Vox Dei nº 422 de 23 de outubro de 2016

No Evangelho de hoje Jesus nos mostra, com clareza, que pensamento tem a respeito da nossa oração, especialmente diante de Deus que nos conhece mais do que nós mesmos. Ao mesmo tempo passamos a compreender o sentido real e concreto do ato de ser humilde. 

Comparando a oração do fariseu com a do publicano, vejamos o que Jesus nos ensina: o fariseu nomeia todas as suas observâncias, tudo o que faz, conforme manda a Lei! Ele não conta nenhuma mentira e faz aquilo mesmo, só que confia absolutamente no poder da sua prática para garantir-lhe a salvação. Assim, dispensa a graça de Deus, pois, se a Lei é capaz de salvar ele não precisa da graça. E o fariseu ainda se dá ao luxo de desprezar os que não viviam como ele, ou porque não queriam, ou porque não conseguiam: “Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, que são ladrões, desonestos, adúlteros, nem como esse cobrador de impostos.” 

O publicano também não mente quando reza! Longe do altar, nem se atrevia a levantar os olhos para o céu, mas batia no peito em sinal de arrependimento e dizia: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. E era a verdade mesmo, ele era vigarista, ladrão, opressor do seu povo, traidor da sua raça, mas tinha consciência disso, e não só disso, mas do fato de que por ele mesmo seria incapaz de mudar a sua situação moral. Sua única esperança era lançar-se diante da misericórdia de Deus. 

Para o espanto dos seus ouvintes, Jesus afirma que o desprezado publicano voltou para a casa “justificado” por Deus, e não o outro, o fariseu. Pois é Deus quem nos torna justos por pura gratuidade, e não em recompensa por termos observado as minúcias duma Lei. 

O farisaísmo entrou fortemente nas tradições de espiritualidade, permanecendo até os dias de hoje. Como as nossas pregações reduziam a fé e o seguimento de Jesus à uma observância externa duma lista de Leis! Como reduzimos Deus a um mero “banqueiro”, que no fim da vida faz as contas e nos dá o que nós “merecemos”, segundo uma teologia de retribuição! Segundo aquele entendimento, quem tem a conta em ‘haver’ com Ele, ganhará o céu, e quem está em dívida irá para o inferno... E a graça de Deus? E a cruz de Cristo? 

Paulo mudou de vida quando descobriu que a Lei, por si só, não era capaz de salvar, mas que somente Deus salva através de Jesus Cristo, sem mérito algum nosso! Com esta descoberta, se libertou e defendia este seu “evangelho” a ferro e fogo! O texto de hoje nos convida a examinarmos até que ponto deixamos o farisaísmo entrar em nossas vidas; até que ponto confiamos em nós mesmos como agentes da nossa salvação; até que ponto nos damos o direito de julgar os outros, conforme os nossos critérios. É uma advertência saudável e oportuna alertando contra uma mentalidade “elitista” e “excludente” que pode insinuar-se na nossa espiritualidade, como fez na do fariseu, sem que tomemos consciência disso!

 

 

“Deus lhes fará justiça” (Lc 18, 8)

Vox Dei nº 421 de 16 de outubro de 2016

A reflexão deste trecho do Evangelho, que conta a parábola do juiz injusto, nos leva a meditar sobre a justiça de Deus em relação à nossa fé. Se o juiz da parábola, injusto e não temente a Deus, atendeu ao pedido da viúva em vista da sua obstinação, quanto mais nos fará Deus Pai, quando nos voltarmos com fé e suplicarmos pelas nossas necessidades? A insistência e a perseverança da nossa oração revelam que somos humildes diante de Deus e faz com que demonstremos crença irrestrita nos projetos a que nos propomos. Por isso, a constância da nossa oração já é uma prova de fé.

Cristo nos estimula a orar e persistir na fé com a certeza absoluta da resposta do Pai às nossas orações, mas muitas pessoas se interrogam como é que Deus permite tanta barbaridade acontecendo no mundo, marcado pela presença de injustiças, ganância e corrupção. Aparentemente o mal parece prevalecer sobre o bem, mas lembremo-nos de que Deus está no comando do mundo, portanto, esperar n´Ele é prova de Fé e de paciência. Quem não persevera na oração, nunca poderá ver realizados os seus pedidos, nem poderá exercitar a sua fé. Sabemos que, sozinhos, somos impotentes e incapazes de alcançar tudo o que almejamos, no entanto, confiando na justiça divina poderemos desejar até coisas consideradas impossíveis. Por isso, a persistência das nossas reivindicações nos torna firmes e nos faz ter convicção e confiança na promessa de Jesus de que tudo quanto pedirmos ao Pai, em Seu nome, nos será atendido.

Assim, pois, Jesus nos ensina e nos dá a indicação para alcançarmos os desejos do nosso coração: insistir, persistir e nunca desistir. A insistência da nossa oração exercitará em nós a perseverança e a certeza de que o que desejamos está de acordo com a vontade do Pai. Quando desistimos com facilidade dos nossos pleitos diante de Deus é sinal de que não temos muita segurança no que pedimos. A perseverança fortifica a nossa alma, mas com ela deve estar de braços dados a esperança, significando a espera com confiança.

A viúva pediu ao juiz para fazer-lhe justiça contra o seu adversário. Assim também devemos pedir ao Senhor que a Sua vontade se realize na nossa vida, porque justo para nós é tudo o que o Senhor nos conceder. Não tenhamos receio em bater à porta do Pai para expressarmos nossas necessidades, mesmo sabendo que devemos nos contentar com tudo quanto Ele nos conceder, pois Ele sabe o que necessitamos, assim como o que precisamos para ser feliz. Nunca devemos cansar de pedir, de suplicar por aquilo que o nosso coração deseja. Não percamos a nossa esperança, Deus proverá! A qualidade da nossa fé é para o mundo um testemunho vivo, capaz de atrair muitas pessoas a também abraçarem a causa de Jesus e, assim fazer com que Ele, quando voltar, ainda encontre fé sobre a terra.

“Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!” (Lc 17, 19)

Vox Dei nº 420 de 09 de outubro de 2016

Ao longo da vida é necessário usar de gratidão, pois esta é um exercício salutar e, simultaneamente, um testemunho de justiça e de humildade de nossa parte. Neste Evangelho Jesus nos ensina a sermos gratos e ao mesmo tempo humildes quando recebermos benesses de qualquer pessoa, principalmente de Deus.

Vale a pena lembrar que a lepra era uma doença que, no decorrer do tempo, deformava as pessoas e causava a morte de muita gente, pois apodrece o tecido, causando sérias lesões, deixando um mau aspecto para quem o observa. Por isso, naquele tempo, os leprosos eram terrivelmente discriminados e colocados à margem do convívio em sociedade, em locais bem distantes, onde eram execrados, aguardando a morte e, lá mesmo, consumindo-se. Quando tinham necessidade de ir à cidade, eram obrigados a passar por locais pré-determinados, a fim de não contaminarem as outras pessoas, levando consigo um sino que iam tocando e gritando: “está passando um leproso”...

No quadro exposto pelo Evangelho observamos que os dez leprosos reconheceram a sua miséria, tiveram coragem de aproximar-se de Jesus para suplicarem compaixão, e obedeceram à Sua ordem quando lhes mandou “apresentarem-se aos sacerdotes”. No entanto, somente um deles foi humilde a ponto de voltar para agradecer a Jesus pela sua cura. Diante de tudo isso, precisamos entender que para nós não bastam somente o reconhecimento da nossa miséria e a consciência de que somos pecadores(as) necessitados(as) do perdão e da misericórdia de Deus, nem tampouco suplicar e confessar ao Senhor as nossas faltas e o nosso desejo de conversão.

Quantas vezes nós, com nossas “doenças” e problemas particulares, imitamos esses homens cheios de defeitos e erros, cheios de orgulho e vaidade, com intrigas dentro das nossas próprias famílias, com raiva e até ódio dos nossos? Quantas vezes criamos na nossa vida “uma lepra” que destrói a alma e, quando nos encontramos com a Verdade e queremos retomar a vida normal, aquela que nos realiza como filhos e filhas do Criador, rogamos e imploramos que Ele nos salve, e Ele salva? E o que fazemos, então: voltamos para agradecer como fez aquele leproso ou agimos como os outros nove que foram embora sem agradecer?

Acostumemo-nos a fazer--- sempre que estivermos a ponto de falarmos ou fazermos coisas que nos afastam dos caminhos do Senhor--- uma revisão de vida, e perceberemos o quanto somos felizes, mesmo com as dificuldades que temos. É importante observarmos que não é Deus que nos dá as doenças, os problemas... Ele só quer o nosso bem, pois nos criou para sermos infinitamente felizes. Nós é que criamos, ou os outros criam em nós, tudo aquilo que nos aflige. A voz do Senhor continua a ressoar para todos nós: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou!”

“Fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 10)

Vox Dei nº 419 de 02 de outubro de 2016

No Evangelho de hoje Jesus nos exorta a vivermos a nossa vocação de acordo com a nossa missão específica, sem querer recompensa antecipada. Dessa forma Ele nos adverte: “quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: “somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.” Por que tal advertência?

A nossa humanidade tem tendência a querer descanso, mordomia, vida fácil. Na maioria das vezes quando desempenhamos um bom trabalho, uma missão proveitosa ou mesmo a nossa obrigação diária, compreendemos que já “fizemos muito” e que então devemos ser elogiados, exaltados, porque tudo foi perfeitamente executado. Por isso, o Mestre nos ensina que não precisamos nem devemos esperar recompensa nem elogios e tampouco deferências pelos trabalhos que realizarmos, pois sempre teremos algo a fazer.

Temos obrigações de religião; por isso, se somos cristãos, precisamos respeitar as exigências inerentes a nossa fé. Temos obrigações sociais; por isso, se queremos conviver bem com as pessoas, precisamos descobrir quais são nossas obrigações para com elas e tentar uma convivência responsável. Temos obrigações para conosco; por isso precisamos cuidar de nossa saúde, da saúde do corpo e da saúde da alma. E assim por diante.

Na verdade, enquanto aqui estivermos, estaremos sendo convocados noite e dia para a vigilância e para o serviço, no amor desinteressado. Assim sendo, não nos será permitido cruzar os braços por mais que já tenhamos efetivado muitas obras. Somos, todos, apenas “servos inúteis” que, um dia, por tudo o que fizermos, seremos recompensados e servidos no céu pelo Senhor.

Mesmo se estivéssemos sozinhos no mundo, ainda assim não estaríamos livres de obrigações. Mas quem entende a si mesmo e percebe suas relações com o mundo e com as pessoas, não encara as obrigações como um peso e sim como uma realidade da vida, que pode nos fazer felizes.

A perseverança é a maior virtude do servo que deseja fazer a vontade de Deus. Ele nos criou para a santidade e não é mérito nosso sermos santos e dignos da vida futura. Deus não desiste de nós e, a cada momento, nos dá oportunidades para que recebamos as Suas graças. Contudo, se começamos a perder as chances que Ele nos dá, por entender que já realizamos tudo, estaremos deixando a Sua graça passar. A cada dia, enquanto aqui estivermos, e até o final da vida, seremos servos e servas convocados pelo Senhor para construir o reino do céu aqui na terra. Contudo, não esperemos prêmios nem promoções neste mundo, porque estes, só nos serão concedidos na vida eterna.

“Eles tem Moisés e os Profetas, que os escutem!” (Lc 16, 29)

Vox Dei nº 418 de 25 de setembro de 2016

A parábola do homem rico e do pobre Lázaro nos confirma que a vida aqui na terra é uma oportunidade preciosa para que possamos nos apropriar dos “terrenos do céu”. O homem rico viveu aproveitando tudo o que possuía para satisfazer o seu apetite humano, como se um dia não tivesse que se apartar do seu penhor. O pobre, por força das circunstâncias, teve uma experiência completamente oposta e provou das agruras da vida por conta da sua completa miséria. Vemos, então, que os dois poderiam ter sido instrumentos de salvação, um para o outro.

A salvação que Jesus veio nos oferecer é algo pertinente à nossa vida. A nossa vivência aqui na terra já pode ser um testemunho de que estamos salvos e um dia iremos viver na companhia dos anjos ou no meio dos tormentos. O rico teve todas as chances para bem viver com sua riqueza, fazendo dela um trampolim para alcançar a vida plena depois que partisse para a outra existência. Infelizmente, muitos ainda não compreenderam isso, portanto, a parábola do homem rico e do pobre Lázaro nos mostra uma situação, ainda hoje, persistente dentro da nossa realidade.

A conjuntura do rico e de Lázaro nos dá uma amostra do julgamento de Deus. Não podemos nos confundir achando que a riqueza é uma coisa má. No entanto, há uma condição imprescindível para que ela seja um instrumento para a nossa salvação: a de partilharmos nossos bens e “terrenos da terra” com o próximo. O mal é quando queremos ter tudo só para nós e desprezamos àqueles que vivem à nossa porta implorando por migalhas, porque não possuem o suficiente para viverem com dignidade. Ninguém é tão pobre que não possua nada para dar nem igualmente é tão rico que não necessite partilhar com alguém a sua riqueza.

Jesus nos fala que o rico recebe os bens durante a vida e o pobre, os males, mas que na outra vida dar-se-á o contrário. O pobre existe para dar ao rico uma chance de empregar os seus bens e assim poder obter ainda mais para ajudar a quem precisa. Nunca se ouviu dizer que alguém ficou pobre porque ajudou a outrem, no entanto, sabemos que muitos chegam à ruína porque empregaram mal a sua fortuna. Jesus também nos mostra a perspectiva da eternidade para o rico avarento e o pobre humilhado: para o primeiro a região dos mortos que é a ausência de Deus e, para o segundo, o seio de Abraão, isto é, a presença de Deus, na companhia dos anjos e tendo consolo para as suas dores.

Precisamos refletir no tempo atual da nossa vida quando temos a oportunidade de pôr em prática todos os ensinamentos de Jesus, a fim de que não tenhamos a mesma sorte dos mesquinhos. Assim, também, precisamos perceber a responsabilidade de abrir os olhos das pessoas que ainda estão presas aos seus bens e não olham para os Lázaros que batem à sua porta.

“Presta contas da tua administração” (Lc 16, 2)

Vox Dei nº 417 de 18 de setembro de 2016

O Evangelho de hoje apresenta uma parábola de certo modo bastante atual, a do administrador infiel. O personagem central é o administrador de um proprietário de terras, figura muito comum naquela época, quando se regiam sistemas de posse por usufruto.

Como as melhores parábolas, esta é como um drama em miniatura, cheio de movimento e de mudanças de cena. A primeira tem como atores o administrador e seu senhor e conclui com uma dispensa taxativa: “Já não podes ser administrador”. Este não esboça sequer uma autodefesa. Tem a consciência suja e sabe perfeitamente que tudo aquilo que o patrão ficou sabendo a seu respeito é certo. A segunda cena é um monólogo do administrador que acaba de ficar sozinho. Não se dá por vencido; pensa em soluções para garantir um futuro. A terceira cena – o administrador e os camponeses – revela a fraude que idealizou com esse fim: “Tu, quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem sacos de trigo’. O administrador disse: ‘Pega a tua conta e escreve: oitenta’”. Um caso clássico de corrupção e de falsa contabilidade que nos faz pensar em frequentes episódios parecidos em nossa sociedade, ainda que em uma escala muito maior.

Ao contar para os Seus discípulos esta parábola, Jesus quis dar, a eles e a nós, a lição de que devemos usar a sabedoria e a nossa inteligência também quando tratamos das coisas de Deus aqui nesse mundo. Ele não elogiou a atitude desonesta do administrador, mas a motivação que o levou a angariar a amizade das pessoas.

Estas pessoas são aquelas a quem nós ajudamos e com as quais nos solidarizamos nas horas de necessidade, não importando o tamanho do bem que fazemos ou a quantia que ofertamos. Por isso, é a maneira como vivemos e o nosso modo de ser, de tratar o semelhante, de acolher, de compreender, de dispensar que fará com que sejamos recebidos um dia nos tabernáculos eternos.

A compaixão que exercitarmos com os nossos semelhantes, o perdão e a misericórdia são ações sábias que devemos colocar em prática enquanto estivermos aqui na terra, porque elas nos servirão de passaporte para o reino dos céus. Normalmente nós colocamos mais empenho nos negócios do mundo do que nos interesses de Deus e damos prioridade ao que rende mais aqui na terra do que o tesouro que juntamos no céu. Os que tratam com as riquezas deste mundo, sabem fazer isso de modo desonesto. Os filhos da luz, porém, muitas vezes não sabem fazer assim para conquistar a amizade das pessoas e agradar a Deus.

É como dizer: fazei como aquele administrador; fazei-vos amigos daqueles que um dia, quando vos encontrardes em necessidade, possam acolher-vos. Esses amigos poderosos, sabemos, são os pobres, já que Cristo considera dado a Ele, em pessoa, o que se dá ao pobre. Os pobres, dizia Santo Agostinho, são de certa forma, nossos correios e transportadores: eles nos permitem transferir, desde agora, nossos bens na morada que se está construindo para nós no céu.

“Seu pai o avistou e sentiu compaixão” (Lc 15, 20)

Vox Dei nº 415 de 11 de setembro de 2016

Este Evangelho, narrado por Lucas, conhecido como “parábola do Filho Pródigo”, poderia muito bem ser denominado “parábola do Pai Misericordioso”. Nele temos a revelação do Deus de Jesus, que a todos acolhe em seu infinito amor. Respeita plenamente a liberdade de seus filhos e está com o coração aberto para acolhê-los a qualquer momento, sem censuras, independentemente de sua história passada. Este é o nosso Deus de quem devemos aprender todos os dias e horas. Diferencia-se do deus dos escribas e fariseus, que castiga os que dele se afastam, impondo-lhes variados sofrimentos.

É por seu amor misericordioso que o Deus de Jesus move à conversão e ao reencontro com a vida plena. Assim a parábola do Pai Misericordioso vai mostrar como Deus Pai age diante do filho pecador. A situação que relata é real e facilmente encontrável em qualquer família humana. Um homem tinha dois filhos. Um pede a sua parte na herança e vai embora. Gasta os bens, passa fome e pede para voltar ao lar para viver apenas como empregado de seu pai, pois este não deixava os empregados passarem fome; quer viver ali nem que seja como um deles, para não morrer de fome. O pai, contudo, vai além: o coloca no lugar onde sempre esteve: o de seu filho. O outro filho – que permanecera fiel ao pai – cobra, sente inveja, raiva. E o pai o convida a participar daquela festa, porque seu irmão havia sido recuperado e a família estava novamente composta.

Aqui na terra temos direito a “uma parte na herança” para bem vivermos, pois o Senhor nos cumula de dons e de bens. No entanto, o modo como consumimos o nosso legado é o que faz toda a diferença. Por essa razão, precisamos estar bem atentos para não sermos os “filhos pródigos” de hoje, aqueles que se afastam da “Casa do Pai”, que esbanjam os bens e arriscam a vida nas mais diversas situações de morte. Cada um de nós pode ser chamado de “pródigo”, isto é, (aquele que dissipa seus bens, gasta mais do que o necessário; gastador, esbanjador), quando, querendo a liberdade, nos afastamos de Deus.

É neste momento que começa para nós o processo da volta para casa, pois percebemos que não podemos mais caminhar sozinhos, descobrimos que a vida que procurávamos é muito cruel e que nos encontramos num “beco sem saída”, pois perdemos tudo para o mundo. Nesta parábola, Jesus nos acena com o perdão e a reconciliação e nos aponta o caminho de volta para a Casa do Pai, o arrependimento sincero. Esta é a chance que temos ainda durante a nossa vida terrena de nos reabilitar e reconquistar a nossa cidadania. Jesus já nos libertou! O Pai nos espera! Podemos voltar! O nosso arrependimento sincero e o nosso reconhecer Jesus é o que nos levará ao Pai e será a chave que podemos usar para que a porta do céu se abra.

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